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quarta-feira, 15 de julho de 2009

O GUERRILHEIRO, O POETA E A PROVA DE QUÍMICA

POR CARLOS MARIGHELLA, O INIMIGO NÚMERO 1 DA DITADURA E LÍDER DA ALIANÇA LIBERTADORA NACIONAL -ALN

Acadêmico do curso de engenharia civil da Escola Politécnica da Bahia, entregaria ao professor da matéria, a prova de Química, dissertando, também em versos, sobre as propriedades do hidrogênio ? elemento; sua preparação no laboratório e na indústria:

De leveza no peso são capazes

Diversos elementos, vários gases

O hidrogênio, porém, é um gás que deve

Ter destaque, por ser o gás mais leve.

Combina-se com vários metalóides,

Com todos aliás, e os sais halóides,

Provêem de ácidos por aquele gás

Formados, reunindo-se aos metais.

Cloro e hidrogênio combinados dão

Um ácido ? o clorídrico ? e a explosão

Produzida por bela experiência

Pode ser de funesta conseqüência.

Vale a pena que seja aqui descrita

Essa experiência que acho tão bonita.

O desejado efeito se produz

Na escuridão, ausente toda luz.

O cloro ao lado do hidrogênio fica

Num vaso, e isso por forma alguma implica

Numa veloz combinação dos dois,

Porquanto a mesma só virá depois.

Então, do vaso em que se chegando à boca

Uma chama, ribomba, estruge, espoca

O violento estampido que anuncia

Pronta a combinação. À luz do dia

Faz-se a combinação rapidamente

(Nesse caso o perigo é iminente).

De uma notável propriedade goza:

Atravessa veloz qualquer prosa

Superfície e, por ser incomburente,

É queimado, não queima. A luz ardente

Que possui é de cor azul no tom,

E na harmonia química, o seu som

É típico e semelha um longo ronco

De um urso velho dorminhoco e bronco.

27 de junho de 1931.

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