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terça-feira, 14 de julho de 2009

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DOS ESPINHOS 1

Na condição de petista, não me submeto ao cúmulo de me tornar pateta. É fato que parte considerável do PT e da esquerda brasileira se renderam aos marcos do capital, às suas regras e aos vícios do modo de produção burguês.

A coalização que assumiu o governo sabia dos limites constitucionais impostos e preferiu ser uma sócia minoritária da burguesia a endereçar uma plataforma ideológica com base no que os movimentos sociais sempre lutaram: Fim a toda forma de latifúndio! Auditoria quanto à dívida externa! Reformas urbana, agrária, política e educacional. O governo fez alianças que aniquilaram o Partido dos Trabalhadores como último grande partido de expressão ideológica da sociedade, 40 anos após o primeiro racha do antigo Partidão, o PCB.

Elegemos e reelegemos Lula na condição de baluarte maior da luta do povo. Expressão que ele se notabilzou a partir das greves do ABC no fim dos anos 70 em pleno regime de exceção, sendo preso pela ditadura que ajudamos a afundar na sua autofagia 'pós-milagre brasileiro'.

Outorgamos a Lula, e a quem quer que fosse presidente, uma plataforma ideológica: democrática, popular e estrategicamente socialista, mas não foi isso que ocorreu no percurso da esquerda rumo à presidência.

Vimos o muro de Berlim ser derrubado e com ele os comunistas sofismáticos de plantão tentarem aniquilar o PCB. Outros camaradas em diversos partidos e correntes quiseram 'reformular' o socialismo para um viés socialdemocrata, rendendo-se sem pudor ao capital e assumindo sem espúrios a cooptação de classe.

A desarticulação dos movimentos sociais nos anos 90 foram frutos dessa política equivocada. A estratégia socialista foi abandonada pelo aparelhismo das entidades sindicais e estudantis. A unidade sindical se desmantelou em nome de repasse tributário para centrais, a UNE e a UBES tiveram seu último grande momento no Fora Collor, depois disso limitaram-se a reproduzir carteiras de estudantes (direitos como meias passagem e entrada vendidas em pvc).

Hoje, observamos a crise do Senado. Pode aparentar oportunismo, mas não é de agora que me pergunto: Para que serve o senado? Uma instituição republicana composta por anciãos criada na Roma Antiga a fim de expressar a soberba patrícia frente aos avanços da plebe rumo às assembleias curiata e centurial e seus tribunos e cônsules. No caso brasileiro, o senado é casa revisora do processo legislativo (vale lembrar que na Constituinte, entre 1987 e 1988, o PT defendeu a extinção do senado), e hoje o observamos como um cemitério de biografias, ou desvendador de verdades através da livre imprensa.

ACM, Jáder Barbalho, Renan Calheiros e José Sarney, na condição de presidentes e não de relés excelências, compõem o rool de absurdos provocados por uma casa de 81 membros com mesmo orçamento que a câmara dos deputados com 513 parlamentares. Novamente me pergunto: pra que o senado?

Os escândalos de Sarney não são novos e foram coadunados, por anuência ou omissão, através de quem compôs as mesas diretoras do senado de 1995 pra cá. Das presidências às terceiras secretarias. E como o mandato corresponde a duas legislaturas, caprichos de quem perdeu o posto de vitalício, não vejo outra solução que não seja o fim do senado após 2014.

Não estamos mais na fase da reforma política, de fato, é urgente uma REVOLUÇÃO POLÍTICA, a fim de que não se motive os setores retrógrados e saudosistas da redentora a emplacar, e com relativo apoio social, mais um golpe na coleção republicana autoritária, em nome da moralidade e dos bons costumes do povo brasileiro, destarte representado por ladrões em atos impunes: públicos ou secretos.

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