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segunda-feira, 30 de março de 2009

QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ (PARTE 2)

Dirceu se posiciona a favor da volta de Delúbio ao PT

AGÊNCIA ESTADO - Contrariando a opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestada por meio de emissários, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu é a favor da volta do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares ao partido. Em entrevista ao Estado , Dirceu afirmou que o veto eterno a Delúbio, um dos principais personagens do escândalo do mensalão, seria uma pena "medieval". Para ele, Delúbio já foi punido e sua volta não provocaria constrangimentos para a articulação da candidatura da ministra Dilma Rousseff.

"Ele tem a presunção da inocência, não foi julgado. Diz que não há recursos públicos, que não teve nenhum benefício próprio e que já pagou pelos erros supostamente cometidos", disse Dirceu na saída de uma reunião do PT no Rio. Delúbio foi expulso do PT em 2005 depois de ser denunciado pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador de um esquema de recursos de campanha não declarados, ferindo o estatuto do partido.

"Isso é uma questão pela qual ele sofreu uma punição. Ele foi expulso do PT, ficou três anos expulso e está respondendo na Justiça por isso. Não se pode dizer que não sofreu punição. A não ser que haja uma pena eterna, que ele nunca mais vai poder se filiar ao PT, o que vai ser uma coisa medieval", disse Dirceu, solidarizando-se com o argumento de Delúbio ao pedir a reintegração à legenda para concorrer a um mandato de deputado por Goiás em 2010. O pedido de Delúbio deverá ser analisado pelo diretório nacional do partido até o mês que vem e tem dividido petistas.

domingo, 29 de março de 2009

QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ

O PT é no mínimo 'engraçado'! Discursa a respeito de uma reforma política séria e transparente, mas aceita receber dinheiro de empreiteira (Camargo Correa). Um absurdo para quem há pouco tempo era o baluarte da ética e da forma diferenciada de fazer política.

O cúmulo chegou à tona com declarações do presidente nacional do partido, dep. Ricardo Berzoini, explicando sobre esse 'financiamento partidário' e se contradizendo acerca da defesa do financiamento público, ao passo em que credita na conta corrente do PT verbas oriundas da 'burguesia espoliadora da classe operária'. Sem falar que o site do PT mais parece um link do Diário Oficial da União que um instrumento de consulta ideológica aos seus filiados e milhões de simpatizantes.

O mais interessante é que até a definição semântica do PT sobre a luta de classes mudou. O que antes era o 'grande capital' passou a ser denominado de 'setor produtivo'... Camuflaram os que quase provocaram o impeachment do presidente Lula com o 'mensalão', episódio que se esquivaram de apurar, por muito menos expulsaram camaradas da luta democrática como os que votaram em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985, ou cassar o mandato de Paulo Rubem Santiago (hoje no PDT). Paciência tem limite!!!

O Partido dos Trabalhadores vem de uma ruptura com seus princípios desde 1995 e de lá pra cá até parte da chamada 'esquerda do PT' aderiu à prática ora famigerada e exorcizada, transformando a organização de bases e a luta de massas em meras questões retóricas típicas das disputas internas do partido e dos movimentos sociais. Sujeitos da minha monografia de pós graduação em geografia.

Não é a toa que há quem pergunte sobre a real diferença entre o PT e o PSDB. Coisa inimaginável se voltarmos 20 anos na história, quando iniciei minha jornada (tímida) com a eleição de Lula e meu ingresso no movimento estudantil secundarista num colégio tradicional de Recife (o grêmio era proibido e a direção do colégio escolhia os componentes do centro cívico), foi uma luta de Davi e Golias, mas o PT (muitas vezes sem sede) organizava suas reuniões em calçadas públicas, escolas, associações de moradores, igrejas e sindicatos dava ânimo para lutar por um mundo livre, democrático e socialista.

E assim, nos anos 90, foram definhando as ideias do pluralismo democrático, dos núcleos de base, das organizações operárias, juvenis, pastorais, de gênero, afirmação étnica e minorias em geral. Reunem-se a cada dois anos para eleger uma personalidade pública (num complexo híbrido de stalinismo e democracia burguesa) através do PED, que pôs fim às discussões sobre o partido, suas bandeiras populares e institucionais.

Guardarei minha coleção de botons e minha bandeira com carinho, dos tempos em que lutávamos com seriedade por uma causa coletiva. Uma revolução democrática e socialista para todos os homens e mulheres. Sem saudosismos, até porque não fomos nós que mudamos, continuamos com o vermelho do sangue proletário e camponês.

Não fomos nós que abandonamos a luta de classes e as contribuições de Marx, Engels, Gramsci, Rosa Luxemburgo e do exemplo prático de Lênin. A vista de alguns, somos antiquados e saudosistas do muro. Não somos nós que nos intimidamos com relação ao apoio aos governos cubano, venezuelano, boliviano, equatoriano e paraguaio. Cobramos uma postura coerente!

Envio essa mensagem a quem se acovardou de pronunciar suas mudanças ao centro., tendo o PMDB como aliado de 'primeira linha', em detrimento do povo organizado.. Continuaremos nosso combate com a mesma seriedade que nos marca há 20 anos. Firmes na luta pela democracia proletária e pelo socialismo.

quinta-feira, 26 de março de 2009

ESTUDOS SOBRE AS NEGOCIAÇÕES DO DIEESE EM 2008

Em 2008, 88% das 706 negociações salariais registradas no Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS) mantido pelo DIEESE conseguiram, ao menos, repor a inflação dos 12 meses anteriores à data-base.

Este resultado é semelhante ao apurado em 2005 - ano em que também 88% das categorias asseguraram reajustes em patamar igual ou superior à inflação - e ligeiramente inferior ao apurado em 2006 e 2007, quando houve maiores ganhos salariais.

Apesar da queda no percentual de instrumentos que obtiveram reajuste maior ou igual ao INPC-IBGE - Índice Nacional de Preços ao Consumidor, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - 78% das unidades de negociação garantiram reajustes superiores à variação do índice normalmente utilizado como parâmetro nas negociações.

Este é o terceiro melhor resultado registrado desde o início da série de estudos, há 13 anos. Doze por cento das unidades de negociação não foram capazes, em 2008, de recompor o poder de compra, mas este resultado é bastante inferior à média de 33% apurada desde o início da série, ou seja, no período entre 1996 e 2007.

A exemplo do que ocorreu em anos anteriores, é grande a concentração de reajustes em torno do INPC-IBGE. A distribuição dos reajustes mostra que além de 11% dos instrumentos terem apresentado correções iguais ao índice de inflação, uma grande parcela - 35%, ou 246 registros - mostram reajustes entre 0,01% e 1,0% acima do INPC-IBGE e uma quantia menor - 10%, ou 73 informações - tiveram seus salários corrigidos por percentuais inferiores àquele índice em 0,01% e 1,0%.

Em 87% dos acordos e convenções firmados por categorias de trabalhadores da Indústria o reajuste obtido superou a inflação dos 12 meses anteriores à data-base, enquanto no Comércio o percentual ficou em 85% e nos Serviços correspondeu a apenas 61%.

Com relação à data-base, os melhores resultados nas negociações ocorreram em agosto (89% dos reajustes acima do INPC-IBGE) e em novembro (85%) e o pior foi observado em junho, quando aproximadamente 24% dos instrumentos não conseguiram correções suficientes para repor as perdas passadas.

Quando comparados com o ICV-DIEESE - Índice de Custo de Vida, medido pelo DIEESE - aproximadamente 98% dos reajustes negociados em 2008 ficaram acima do mínimo necessário para a reposição das perdas salariais. Em 2007, o percentual desses reajustes ficou em torno de 93%. Em 2008, apenas 2% dos reajustes ficaram abaixo do ICV-DIEESE e nenhum foi equivalente ao índice.

Considerações finais

O recuo no total de categorias que, em 2008, obtiveram reajustes superiores à inflação parece estar relacionado com a aceleração inflacionária ocorrida no período, pois à medida que o índice necessário à reposição diminui, aumenta a proporção de negociações com reajustes iguais ou superiores a ele.

Ainda assim, outros fatores também concorrem para ao resultado. No caso de 2008, por exemplo, devem ser levados em conta, entre outros elementos, o crescimento econômico ocorrido no ano (o PIB - Produto Interno Bruto - apesar da retração ocorrida no último trimestre, apresentou crescimento de 5,1%), a queda nas taxas de desemprego e o poder de mobilização da ação sindical. Somente considerando esses outros elementos é possível compreender porque, quando comparado ao primeiro semestre do ano, o segundo semestre de 2008, registra uma proporção maior de negociações que obteve aumentos reais, mesmo com índices de reajustes necessários em patamares superiores.

Deve-se ressaltar, também, que esses resultados ainda não manifestam possíveis impactos da crise global sobre os reajustes salariais. Tal como visto no transcorrer deste estudo, principalmente no recorte por data-base, o resultado do segundo semestre de 2008 é melhor frente aos seis primeiros meses do ano. Além disso, os ganhos das categorias que negociaram entre os meses de novembro e dezembro foram superiores à média dos ganhos do ano como um todo, sendo que a data-base novembro registra o segundo melhor resultado de 2008, inferior somente a agosto.

CCJ APROVA REABERTURA DE PRAZO PARA DEMITIDOS DO GOVERNO COLLOR

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou nesta quarta-feira (11), por unanimidade, relatório da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) ao projeto que reabre prazo para que os servidores públicos demitidos entre 1990 e 1992, durante o governo de Fernando Collor de Mello, possam requerer o direito de retornar ao trabalho.

“É uma vitória para esses trabalhadores a possibilidade de reabrir o prazo de requerimento da anistia. Cerca de sete mil trabalhadores requereram a anistia com base na lei de 1994 e que atendeu 6 mil servidores. Mas ainda há outros seis mil funcionários que não fizeram o requerimento para poder ter seu caso analisado e retornar ao serviço público”, disse Ideli.

O projeto (PLS nº 372/2008), de autoria do senador Lobão Filho, recebeu emenda da própria relatora Ideli, autorizando o Poder Executivo a reabrir o prazo por 360 dias para apresentação dos requerimentos de retorno de servidores e empregados públicos e autorizando o recebimento de requerimentos de reconsideração de pedidos de retorno que tenham sido indeferidos, anulados administrativamente ou arquivados. O projeto por sugestão de Ideli prevê que os requerimentos deverão estar fundamentados e acompanhados de documentação, sendo, em seguida, encaminhados para o Ministério do Planejamento.

Segundo Ideli, outra proposta acatada foi a autorização para o Poder Executivo constituir novas comissões e subcomissões para análise dos pedidos, caso tenham sido extintas.

“A aprovação desse projeto resgata a dignidade de muitos trabalhadores demitidos e de suas famílias. A dignidade foi retirada de forma abrupta e lamentável na época que o Brasil foi presidido por Fernando Collor de Mello”, afirmou Ideli.

O líder do PT e do Bloco de Apoio ao Governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), lembrou que em 1990 o País vivia um ambiente econômico de hiperinflação e experimentava a ideologia neoliberal de estado mínimo no serviço público, de combate aos marajás, de procedimentos que seriam prejudiciais. “As pessoas amadurecem. Os trabalhadores também podem ter cometido equivocos, mas agora temos um olhar diferenciado que possa virar essa página da história. O Brasil deve reparar de forma ampla e generosa os atingidos”, disse Mercadante.

Já que o projeto foi aprovado na CCJ em decisão terminativa, ou seja, os senadores não precisarão apreciar a matéria no plenário do Senado, o texto segue diretamente para a Câmara dos Deputados, onde passa a tramitar. Assim que terminou a votação, Ideli foi abraçada com entusiasmo por vários servidores demitidos há 18 anos do serviço público e que acompanhavam a sessão.


Fonte: Assessoria de Imprensa da Liderança do PT no Senado

GOVERNO LULA: O BOLO DO PRECONCEITO MURCHOU

Muito se fala - mas muito mesmo, a ponto de dar dó - que o nosso Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é burro. É analfabeto, ignorante, iletrado e outro qualquer-adjetivo-linguístico-preconceituoso cabível. Só que na mesma proporção que é falado, é desmentido de forma categórica pelo próprio Lula e pela esmagadora parte da população brasileira.

A quem realmente interessa o Brasil desenvolver, não faz diferença o uso correto de conjunções, preposições e concordância. Também não interessa uma ajuda de custo estatal no fim do mês para manter as crianças na escola - como pode parecer - e sim, a esperança de um dia voltar a ter uma esperança há muito usurpada pelo racismo, preconceito e pobreza.

Lula, ao contrário do que nossa classe-média-parda-golpista espalha aos quatro ventos, é muitíssimo inteligente e sagaz. Só que os autointitulados "elite intelectual" não conseguem compreender tais predicados por ainda acharem que inteligência é igual a diploma, classe é igual formalidade e competência é igual sangue-azul. Lula joga na fuça de tal elite que a falta de um dedo, o fato de já ter sido um menino de rua ou carregado por um pau-de-arara não são "pobremas" para governar uma nação.

Por mais que possa não parecer, o Brasil é claramente dividido em castas, e a casta que se diz a mais apta para levar a nação à frente é nojenta, suja e baixa. É a mesma casta que permitiu - e financiou! - o Golpe Militar de 1964. É a mesma casta asquerosa que fez uma política econômica desastrada e colocou o Brasil numa crise econômica em 1997. É a mesma casta que privatizou empresas importantes a preço de banana e ajudou seus compatriotas estadunidenses e europeus.

Desde 2003, quando chegou ao poder através de uma eleição histórica e democrática, a gestão (e também a imagem) de Lula é atacada pela imprensa - que trabalha com e para a casta burguesa - bombardeando suas mentiras lavadas; o que no jornalismo é carinhosamente apelidado de factoide.

Para completar o circo dos horrores, a casta burguesa - que se acha branca, mas não passa de uma cambada de pardos que renegam suas raízes - finge não saber que um país deve ser guiado para e com o povo. Povo, palavra simples, mas que a elite brasileira insiste em não entender o significado.

Lula governa o Brasil a trancos e barrancos. Além de trabalhar e continuar transformando positivamente nosso país, tem que aguentar fofocas a seu respeito, jornalistas à espreita prontos para dissimular qualquer deslize em barraco e as viúvas arrogantes de Fernando Henrique Cardoso - diga-se de passagem, um dos piores presidentes que já usaram a faixa verde-amarela.

Um politico que consegue sair de cabeça erguida das pesadas críticas que recebe, não é burro! Lula não faz populismo barato, como choram alguns, ele dinamiza a economia convocando a todos que façamos o bolo juntos e depois procura distribuir os pedaços, e não fugir com as melhores fatias como fizeram centenas de políticos ao longo de nossa história.

Claro que o bolo feito aqui no Brasil ainda não é o mais saboroso. Mas é assim mesmo, a receita veio se aperfeiçoando com o passar dos seis anos do governo Lula. O bolo de 2008 foi melhor que o de 2003; e não tenham dúvidas que o bolo de 2009 será ainda mais farto, mesmo com uma crise estrutural no Capitalismo acontecendo pelo mundo afora.

Lula mostrou à política que não é preciso discursos estruturados e repletos de palavras démodés para dar satisfação do que é feito em sua gestão: Ele usa expressões que as camadas menos favorecidas da população compreendem. Lula é um reflexo daquilo que o Brasil tem de melhor, e principalmente, daquilo que todo brasileiro de classe média deveria ao menos procurar ser, um brasileiro que acredita em seu país!

sexta-feira, 6 de março de 2009

A ELEIÇÃO DE COLLOR PARA PRESIDIR COMISSÃO DO SENADO

Por José Dirceu

No front interno do governo, dois fatos chamam a atenção hoje - a eleição do senador Fernando Collor (PTB-AL) para uma das mais importantes e poderosas comissões do Senado, e o retorno do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) à cena política com declarações sobre a sucessão e a política econômica. Seus dois partidos integram a base aliada.

A eleição do senador Collor para a presidência da Comissão de Infraestrutura, relevou um direito de fato da bancada do PT no Senado, de indicar o presidente dessa comissão como é a praxe na Casa, já que o partido que tem a quarta bancada - caso do PT na nossa Câmara Alta - escolhe a presidência de uma comissão.

Aí, há que se considerar que o apoio do PMDB a Collor foi para cumprir o acordo que levou o atual partido dele, o PTB, a apoiar a eleição de José Sarney para a presidência do Senado. Foi um desdobramento normal no Parlamento no Brasil e no mundo, mas foi a violação de um direito líquido e certo da bancada do PT.

Na verdade, Collor era para ser eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores, mas para esta o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), ex governador de Minas, foi o escolhido.

Então, o que temos de constatar, e reconhecer mesmo é, que quando podem, os partidos que apóiam o governo diminuem a participação do PT, seja no governo, seja nos órgãos de direção do Parlamento. Essa é a verdade nua e crua e só expressa que, apesar de aliados, continuamos diferentes. Ainda bem.

Mas o PT que se cuide. Nunca é demais lembrar que o PMDB já elegeu o presidente da Comissão de Minas Energia da Câmara dos Deputados, por onde tramitam - como na de Infraestrutura do Senado, onde elegeram Collor - as obras do PAC.

CENTENÁRIO DE PATATIVA DO ASSARÉ.

Considerado um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina, Antônio Gonçalves da Silva, pseudônimo, Patativa do Assaré, nasceu em 5 de março de 1909, na cidade de Assaré (estado do Ceará), e ontem completaria 100 anos.


Patativa dedicou sua vida e arte a produção de cultura popular, voltada para o povo marginalizado e oprimido do sertão nordestino. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador e poeta. Produziu também literatura de cordel, porém nunca se considerou um cordelista.

Continue lendo no blog do Luís Nassif.

FONTE: GUERRILHEIROS VIRTUAIS

SERÁ O BENEDITO!!!

http://www.insanus.org/chiqsland/Disfarce_do_Papa.jpg

quinta-feira, 5 de março de 2009

TERCEIRO MANDAMENTO

Não sou ateu, considero-me um católico à toa. Mas o impacto negativo sobre a excomunhão outorgada aos médicos e à família pernambucanos por terem realizado um aborto a fim de salvar a vida de uma menina, vítima de estupro pelo padrasto, revoltou toda a sociedade (católica ou não).

De certo, o catolicismo ser no Brasil a maior religião em número de fiéis (incluindo os não-praticantes), e ter cometido um erro crasso em torno do saudosismo inquisitório.

Doravante, não se vê a mesma indignação da santa sé frente às constantes denúncias de pedofilia e abuso sexual cometidos pelos seus membros (sufocados por um arcaico e hipócrita celibato), como também não se verifica a tenacidade suficiente para excomungar padres insufladores de ideais pseudo-nazistas.

O cristianismo é uma religião de paz, embora na sua trajetória tenha esquecido de Cristo durante a inquisição, as cruzadas, as guerras religiosas, o apoio à escravidão indígena na América e ao tráfico africano (povo considerado 'sem alma'), por séculos e da omissão de Pio XII frente ao holocausto de Hitler durante a II Guerra e do neo-holocausto provocado pelos israelenses aos palestinos em plena Terra Santa.

É através dessa linha reacionária que Benedito XVI e seus asseclas afastam cada vez mais os fiéis da igreja, aliás, a postura é tão arrogante que chega ao ponto de afirmar que a igreja não vai ao fiel, renegando os parâmetros cristãos da vida na comunidade, suas lutas em prol da justiça social, da igualdade e da paz entre os povos.

Saudades nesse momento nos oferta a inexistência material de D. Hélder, D. Ivo Casadáglia e da presença de D. Paulo Evaristo Arns.

Cristo desafiou a lei do Império Romano e da aristocracia judia em nome da vida em abundância do povo palestino. A lei dos homens foi subvertida pela lei da felicidade de uma fé que lutaram ele e seus apóstolos e que em nome dela ofertou sua vida em sacrifício. A vida na pobreza com dignidade foi esquecida por uma igreja ostentada em riqueza trancada nos castelos e monastérios, afastada da realidade de seu rebanho.

De todos os livros que conheço, só vi uma tradução perfeita em todos os exemplares, independente dos tradutores e das editoras: o Velho Testamento. Portanto oferto o Terceiro Mandamento ao Arcebispo D. José Cardoso Sobrinho: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão."

Descer do pedestal e viver o sofrimento de seu povo deve ser uma das tarefas e um sacerdócio a ser cumprido pela igreja, em especial às suas autoridades eclesiais.

domingo, 1 de março de 2009

OS BASTIDORES SOBRE A DEMISSÃO DE INALDO SAMPAIO

DO BLOG ACERTO DE CONTAS

inaldo

Inaldo Sampaio, colunista do JC por 22 anos. Foi demitido por se contrapor à opção política do jornal

Há horas que recebo ligações de jornalistas das diversas redações de Pernambuco para “fofocar” sobre a demissão do colunista de Política do JC, Inaldo Sampaio. Inaldo estava há 22 anos como titular da coluna Pinga-Fogo e foi demitido, segundo versão corrente no mercado, porque foi a única voz que questionou dentro do jornal a autoridade do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) em sua entrevista à Veja. Dentro do Jornal do Commercio, diz-se que foi o próprio João Carlos Paes Mendonça (dono do grupo de comunicação) que mandou demiti-lo.

Pode-se falar tudo de Inaldo Sampaio menos que ele não manteve altivez profissional. Inaldo várias vezes ignorou a nítida opção política da direção do jornal e questionou os governos e as lideranças da União por Pernambuco (PMDB-DEM-PSDB). Por isso, tornou-se desafeto de Jarbas e do também senador Sérgio Guerra.

Sua demissão, agora, não deixa sombra de dúvidas de que faz parte do jogo político. E da desfaçatez da grande mídia em não assumir publicamente seus interesses econômicos e opções ideológicas.

Fica feio para o JC a demissão de Inaldo Sampaio da forma como se fez. Do alto da arrogância, o “líder” em tiragem no estado não percebe a crise de credibilidade pela qual passa. Não percebe que está se tornando um panfleto político, ao invés de um jornal.

Tentei ligar várias vezes para Inaldo. Como não obtive sucesso, reproduzo o email que ele enviou para o Blog do Magno:

‘Comunicado do jornalista Inaldo Sampaio

1) Comunico aos meus ex-leitores do Jornal do Commercio que a partir da data de hoje (27 de fevereiro) estou desligado da empresa.

2) Me foi comunicado ontem pela sua direção que estava havendo incompatibilidade entre a linha editorial da empresa e a da coluna, embora com isso eu não concorde.

3) Sou grato ao diretor-presidente pelos 22 anos em que passei na empresa escrevendo a coluna “Pinga Fogo”, bem como aos políticos que nesses anos todos contribuíram direta ou indiretamente para abastecê-la com informações.

4) Agradeço também aos editores, editores substitutos, repórteres, fotógrafos, pessoal da editoria de arte e servidores em geral pelo tempo que passamos juntos, desejando a todos boa sorte.

5) Bola pra frente e até breve.

Recife, 27 de fevereiro de 2009

POR QUE A FOLHA NÃO PUBLICA CARTAS DE IVAN SEIXAS?

Do blog de Rodrigo Vianna

Ivan Seixas tinha 16 anos quando foi preso pela ditadura, ao lado do pai, Joaquim Alencar de Seixas. No dia 16 de abril de 1971, os dois foram levados para o DOI-CODI/OBAN, em São Paulo, e barbaramente torturados.

Ivan ficou indignado quando leu o editorial da Folha de S. Paulo, definindo a ditadura brasileira como “ditabranda”. Falei há pouco com ele por telefone: “É muita arrogância dos Frias, ainda mais com os pés de barro que eles têm. Os Frias não têm direito de pontificar sobre a ditadura, até porque colaboraram com a ditadura”.

Ivan Seixas mandou duas cartas para a Redação da Folha, protestando. Nenhuma das duas foi publicada. Escreveu, também, para o Ombudsman. Nada.
Nesta última, fez referência ao passado nebuloso do grupo Folha, jornal que “empregava carros para nos capturar e entregar para sessões de interrogatórios, como sofremos eu e meu pai. Ninguém me contou, eu vi carro da Folha na porta da OBAN/DOI-CODI.”

Ivan sabe do que está falando quando diz que a Folha tem pés de barro nesse tema.

Na madrugada do dia 17 de abril de 1971, poucas horas após a prisão dele e do pai, policiais a serviço da “ditabranda” tiraram Ivan da prisão para um “passeio” por São Paulo. Tomaram o caminho do Parque do Estado, uma área de mata fechada, próxima ao Jardim Zoológico. Lá, o jovem (algemado e desarmado) foi ameaçado várias vezes de fuzilamento. Os policiais - polidos como só acontecia na “ditabranda” brasileira - dispararam várias vezes bem ao lado da cabeça de Ivan. Ele fechava os olhos e tinha certeza que morreria: tortura terrível. Mas, deixaram-no vivo, pra contar a história.

No caminho para o Parque do Estado, os funcionários da “ditabranda” pararam numa padaria, na antiga Estrada do Cursino. Desceram pra tomar café, deixando Ivan no “chiqueirinho” da viatura. Foi de lá que Ivan conseguiu observar a manchete da Folha da Tarde (jornal do grupo Frias), estampada na banca bem ao lado da padaria: o jornal anunciava a morte do pai dele, Joaquim.

Prestem bem atenção: a Folha da Tarde do dia 17 trazia manchete com a morte de Joaquim – que teria ocorrido dia 16. Só que, ao voltar de seu “passeio” com os policiais, Ivan encontrou o pai vivo e consciente, nas dependências do DOI-CODI. Joaquim só morreria – sob tortura – no próprio dia 17.

Ou seja, o jornal da família Frias já sabia que Joaquim estava marcado pra morrer, e “adiantou” a notícia em um dia. Detalhe banal.

A historiadora Beatriz Kushnir publicou um livro em que conta essa e outras histórias mostrando os vínculos estreitos da família Frias com a ditadura.
Ivan está se movimentando para que o livro de Beatriz seja relançado este ano, em São Paulo. O ato serviria também como desagravo às vítimas da ditadura, e como protesto contra a família Frias, que quer reescrever a história recente do Brasil.

O velho Frias, antes de ter jornal, se dedicava a criar galinhas. Não tinha pretensões intelectuais.
Frias Filho – o Otavinho – acha que é um pensador. Devia criar galinhas.
Pensando bem, melhor não. Deixem os bons granjeiros fazerem o serviço deles honestamente...

Rodrigo Vianna é jornalista

'DITABRANDA' PRA QUEM?

Texto publicado na revista Carta Maior

Quase ninguém lê editorial de jornais, mas quase todos leem a seção de cartas. E foi assim que tudo começou. Os fatos: a Folha de S.Paulo, em editorial de 17/2, aplica a expressão “ditabranda” ao regime militar que prendeu, torturou, estuprou e assassinou. O primeiro leitor que escreve protestando recebe uma resposta pífia; a partir daí, multiplicam-se as cartas: as dos indignados e as dos que ainda defendem a ditadura. Normal.

Mas eis que chegam a carta do professor Fábio Konder Comparato e a minha: “Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ‘ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas.

Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” (esta escriba). “O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17/2, bem como o diretor que o aprovou, deveria ser condenado a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana” (Prof. Fábio).

As cartas são publicadas acompanhadas da seguinte Nota da Redação – “A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente ‘cínica e mentirosa’.”

Pronto. Como disseram vários comentaristas, a Folha mostrou a sua cara e acabou dando um tiro no pé. Choveram cartas para o ombudsman do jornal – que se limitou a escrever, quase clandestino, que a resposta pecara por falta de “cordialidade”.

Um manifesto de repúdio ao jornal e de solidariedade, organizado pelo professor Caio Navarro de Toledo, da Unicamp – com a primeira adesão de Antonio Candido, Margarida Genevois e Goffredo da Silva Telles – passa imediatamente a circular na internet e, apesar do carnaval, conta com mais de 3 mil assinaturas. Neste, depoimentos veementes de acadêmicos, jornalistas (inclusive nota do sindicato paulista), artistas, estudantes, professores do ensino fundamental e médio, além de blogs. Vítimas da repressão escrevem relatos de suas experiências e até enviam fotos terríveis. A maioria lembra, também, o papel da empresa Folha da Manhã na colaboração com a famigerada Oban.

O que explica essa inacreditável estupidez da Folha?

A meu ver, três pontos devem ser levantados: 1. A combativa atuação do advogado Comparato para impedir que os torturadores permaneçam “anistiados” (atenção: o caso será julgado em breve no STF!). 2. O insidioso revisionismo histórico, com certos acadêmicos, políticos e jornalistas, a quem não interessa a campanha pelo “Direito à Memória e à Verdade”. 3. A possível derrota eleitoral do esquema PSDB-DEM, em 2010. (Um quarto ponto fica para “divã de analista”: os termos da nota – não assinada – revelam raiva e rancor, extrapolando a mais elementar ética jornalística.)

Dessa experiência, para mim inédita, ficou uma reflexão dolorosa, provocada pela jornalista Elaine Tavares, do blog cearense Bodega Cultural, que reclama: “Sempre me causou espécie ver a intelectualidade de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistia em dizer que era o ‘mais democrático’ ou que ‘pelo menos abria um espaço para a diferença’. Ora, o jornal dos Frias pode ser comparado à velha historinha do lobo que estudou na França e voltou querendo ser amigo das ovelhas.

Tanto insistiu que elas foram visitá-lo. Então, já dentro da casa do lobo ele as comeu. Uma delas, moribunda, lamentou: ‘Mas você disse que tinha mudado’... E ele, sincero: ‘Eu mudei, mas não há como mudar os hábitos alimentares’. E assim é com a Folha (...). São os hábitos alimentares”.

O que fazer? Muito. Há a imprensa independente, como esta CartaCapital. Há a internet. Há todo um movimento pela democratização da informação e da comunicação. Há a luta – que sabemos constante – pela justiça, pela verdade, pela república, pela democracia. Onde quer que estejamos.

Maria Victoria Benevides é socióloga com especialização em Ciências Políticas e professora titular da Faculdade de Educação da USP

REPÚDIO À FOLHA

Um grupo de intelectuais lançou um abaixo-assinado na internet em repúdio à Folha de S.Paulo. O manifesto protesta contra um editorial publicado no dia 17/02, que fez tábula rasa das atrocidades da ditadura militar (1964-1985) e classificou o período como "ditabranda".

O texto condena "o estelionato semântico manifesto pelo neologismo 'ditabranda' e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964". Segundo os signatários do manifesto, "a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais".

Outra motivação do abaixo-assinado foi prestar solidariedade aos professores acadêmicos Maria Victória de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato, cuja legítima indignação ao editorial foi tachada de "cínica" e "mentirosa" pela Folha. "Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro", diz o texto.

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REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio a arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S.Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história polí­tica brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victória de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S.Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis a atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.

Assinam:

Antonio Candido, professor aposentado da USP
Margarida Genevois. Fundadora da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos
Goffredo da Silva Telles Júnior, professor emérito da USP
Dalmo de Abreu Dallari, jurista e professor de Direito da USP,
Francisco de Oliveira, professor titular aposentado, FFLCH, USP,
Sérgio Ferro, artista plástico;

Andréia Galvão, professora da Unifesp
Antonio Carlos Mazzeo, professor da Unesp
Augusto Buonicore, doutorando da Unicamp
Caio N. de Toledo, professor da Unicamp
Cláudio Batalha, professor da Unicamp
Eleonora Albano, professora do IEL, Unicamp
Emir Sader, professor da USP
Fernando Ponte de Souza, professor da UFSC
Heloisa Fernandes, socióloga
Ivana Jinkings, editora
Marcos Silva professor titular da FFLCH, USP,
Maria Eugênia da Silva Telles, advogada
Maria Rita Kehl, psicanalista,
Michel Löwy, Diretor do CNRS, Paris, França
Sérgio Silva, professor da Unicamp
Patricia Vieira Tropia, Universidade Federal de Uberlândia
Paulo Silveira, sociólogo

Assinamos também esse manifesto contra o editorial que desdenha da história do Brasil e atenta aos direitos humanos..