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quinta-feira, 23 de abril de 2009

O VOO MAIS ALTO DO LEÃO

Por Marcelo Cavalcanti, do Blog do Torcedor

http://files.natrave.webnode.com/200000207-dd7aedf1e5/sport.jpg

O sorteio dos grupos da Libertadores no dia 25 de novembro foi o primeiro sinal. No Grupo 1, a atual campeã, o campeão chileno, o campeão da Copa do Brasil e quarto colocado do Campeonato Brasileiro. A LDU, com o título de 2008, e o Sport, pela Copa do Brasil, já estavam confirmados; ainda faltava Colo Colo e Palmeiras garantirem as duas outras vagas, o que viria a acontecer naturalmente. Formou-se então o grupo da morte.

Três campeões do torneio, Palmeiras, Colo Colo e LDU, e no meio deles um quase novato, embora centenário, Sport Club do Recife. Passadas cinco das seis rodadas, a previsão se confirmou: realmente, é o grupo da morte, tanto que a atual detentora da Copa Libertadores, a LDU, já está eliminada -- segunda vez em dez anos que o campeão cai na primeira fase. E justamente o Sport, o estranho no ninho da tradição continental, é o primeiro a se classificar; antecipadamente, aliás.

Após surpreender o Colo Colo na primeira rodada, superar a LDU, tropeçar no Palmeiras e reabilitar-se diante do mesmo, o Leão da Ilha superou-se para vencer novamente a forte equipe chilena na noite desta quarta, de virada, na base da raça, e, com a classificação antecipada, fez história, sendo o primeiro clube pernambucano a chegar à segunda fase da Libertadores.

A campanha rubro-negra tem sido brilhante, digna de orgulho à torcida que, se não vem lotando o estádio, por motivos como o preço do ingresso, está sendo bem representada pelos privilegiados presentes no caldeirão do Leão, os quais vêm gritando e apoiando em dobro, inflamando os 11 guerreiros em campo. Se teve algo que não faltou ao Sport foi brio, empenho, determinação, força de vontade. Além da competência, sem a qual não se chega a lugar algum.

Bravo Leão, que há um ano vem brilhando no cenário nacional, despachando Palmeiras, Internacional, Vasco e Corinthians na Copa do Brasil, e agora deixou para trás seus três fortes adversários do grupo.

Que fique bem claro: o Sport não chegou aí por acaso. Está colhendo o que plantou. Os resultados são fruto do planejamento na formação do elenco em 2008 e na manutenção de todas as peças-chave para 2009, somado à contratação de reforços que em muito vêm acrescentando ao clube e ao despontar dos jovens talentos em que vinha investindo desde o ano passado.

Agora é hora de mata-mata, fórmula com que o time decolou em 2008. Com o ingresso mais barato, a propulsão que vem das arquibancadas para o time dentro de campo será ainda maior. Mas, antes, tem a LDU, em Quito, para fechar a primeira fase. Um empate garante a primeira colocação no grupo e, consequentemente, o confronto nas oitavas com um dos segundos colocados dos oito grupos da competição e o direito de fazer o jogo de volta na Ilha do Retiro, a casa do Leão.

O Leão está leve, em estado de graça, e vem voando. Este, o voo mais alto de sua história, brilhando na Libertadores e tetracampeão Estadual. Qual o limite para o Leão? É melhor não fazer previsões, pois o time já chegou mais longe do que se esperava, destroçando prognósticos até dos mais sensatos. O que se pode dizer sem medo de errar é que o vermelho e o preto são hoje as cores do Recife, as cores de Pernambuco, as cores do Nordeste. E o Brasil se rende à demonstração de grandeza que vem dando o Sport, assim como a América descobre a força desse Leão bom de briga.

BOA MINISTRO JOAQUIM!!!

http://www.youtube.com/watch?v=sIUdUsPM2WA

terça-feira, 21 de abril de 2009

REFLEXÕES DE FIDEL: SERÁ QUE A OEA TEM O DIREITO DE EXISTIR?

http://www.aleac.ac.gov.br/aleac/edvaldomagalhaes/images/stories/fotosdodia/fidel.jpg

HOJE falei com franqueza sobre as crueldades cometidas contra os povos de América Latina. Esses povos do Caribe nem sequer eram independentes, quando do triunfou a Revolução cubana. Exatamente no dia 19, data em que conclui a Cúpula das Américas, se completarão 48 anos da vitória de Cuba em Girón. Fui cauteloso com a OEA; não disse uma única palavra que pudesse ser interpretada como uma ofensa à vetusta instituição, embora todos saibam quanta repugnância nos provoca.

Uma informação bastante hostil da agência britânica Reuters afirma que "'Cuba deveria expressar com clareza seu compromisso com a democracia se quisesse voltar à OEA, como exige um número crescente de governos latinoamericanos’, disse Insulza numa entrevista com o jornal brasileiro O'Globo. "O presidente norte-americano, Barack Obama, está revendo a velha política de isolamento com a ilha comunista antes da Cúpula das Américas deste este fim de semana, onde está previsto que líderes latino-americanos vão pressionar para que e ponha fim ao embargo dos Estados Unidos a Cuba, vigente desde 1962.

"Alguns países também têm previsto pedir o reingresso de Cuba na OEA, após de sua suspensão em 1962, em meio à Guerra Fria. "Insulza advertiu que 'a cláusula democrática da OEA fica como um obstáculo dentro das exigências para permitir o reingresso de Cuba, um Estado
unipartidário".

'Precisamos saber se Cuba está interessada em voltar aos organismos multilaterais ou se só está pensando no fim do embargo e no crescimento económico’. "'Esta é uma Cúpula de países com boa vontade, mas a boa vontade não é suficiente para provocar a mudança’, acrescentou.

'Os 34 líderes que assistirão à Cúpula, na qual Cuba não pode participar, são países democráticos’, apontou Insulza, ex-ministro das Relações Exteriores do Chile. 'A Assembleia Geral da OEA decidiu que todos os países-membros devem aderir aos princípios democráticos’, declarou Insulza a O'Globo, quando foi perguntado sobre Cuba. "Mas o presidente venezuelano, Hugo Chávez, um forte crítico de Washington, já anunciou que tentará colocar o tema de Cuba no centro do debate da Cúpula. 'O regresso de Cuba ao organismo não só depende da Cúpula das Américas, mas também da Assembleia Geral da OEA’, disse Insulza a O'Globo."

A OEA tem uma história que recolhe todo o lixo de 60 anos de traição aos povos da América Latina. Insulza afirma que para entrar na OEA, primeiro Cuba tem que ser aceita pela instituição. Ele sabe que nós nem sequer queremos escutar o infame nome dessa instituição. Não prestou um só serviço aos nossos povos; ela é a encarnação da traição. Se se somarem todas as ações agressivas das quais ela foi cúmplice, estas alcançam centenas de milhares de vidas e acumulam dezenas de anos sangrentos. Sua reunião será um campo de batalha que colocará muitos governos em situação embaraçosa.

Que não se diga, porém, que Cuba atirou a primeira pedra. Ofende-nos, inclusive, quando supõe que estamos desejosos de ingressar na OEA. O trem passou há muito e Insulza ainda não percebeu isso. Um dia, muitos países pedirão perdão por ter pertencido a ela.

Evo falou hoje, ao meio-dia. Ainda não disse a última palavra sobre sua assistência ou não à reunião da ALBA e à Cúpula das Américas. Obteve uma clara e contudente vitória. Contudo, aceitou a redução para 7 do número de vagas aos povos indígenas, das 14 que tinha proposto. O opositor, com certeza, tentará explorar esse ponto para as tramoias contra o Movimento ao Socialismo, apostando o desgaste.

O MAS terá que lutar duro para garantir o padrão eleitoral biométrico e uma alternativa, se a oligarquia consegue dilatar a elaboração do novo padrão. Sua greve de fome foi uma decisão corajosa e audaciosa, e o povo de Bolívia ganhou muita consciência.

Agora a atenção está na Cúpula das Américas. Significará um privilégio saber o que ali seja dito; será um teste de inteligência e vergonha. Não pediremos de joelhos à OEA ingressar na infâmia.

Fidel Castro Ruz
14 de abril de 2009

MST MOBILIZA 11 ESTADOS POR REFORMA AGRÁRIA E CONTRA A CRISE

http://ciranda5.ciranda.net/twiki/pub/Artigos/NewsItem20050125222450RafaelEvangelista/MST.jpg

A Jornada Nacional de Lutas do MST, que exige o assentamento das 100 mil famílias acampadas e denuncia o desemprego causado pelo agronegócio com a crise econômica mundial, mobilizou trabalhadores rurais em 10 estados e no Distrito Federal, desde o início do mês. Nesta qunta-feira (16/04), foram realizados protestos em Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Alagoas. As ações são realizadas em memória dos 19 trabalhadores Sem Terra assassinados há 13 anos no Massacre de Eldorado de Carajás (PA).

Desde o começo do mês, também aconteceram ocupações de terras, marchas e atos no Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Pará, Bahia, Minas Gerais, Roraima e Brasília.
"A crise econômica demonstra que o agronegócio não tem condições de melhorar a vida dos trabalhadores rurais. Defendemos a realização de uma Reforma Agrária Popular e um programa de agroindústrias em assentamentos para criar empregos e gerar desenvolvimento no campo", afirma a integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos.

De novembro de 2008 a fevereiro de 2009, foram fechadas 747.515 vagas no país. O complexo do agronegócio fechou 268.888 vagas (no setor agropecuário, foram 145.631; no setor de alimentos e bebidas, 123.257), cerca de 35% do total (dados do Dieese). Os números apontam que boa parte das vagas eliminadas é do agronegócio, apesar da política de crédito rural do governo federal. No ano passado, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) concedeu em empréstimos mais de R$17,2 bilhões de reais para empresas do agronegócio. O Banco do Brasil concedeu mais de R$ 10 bilhões para apenas 20 empresas do agronegócio.

Enquanto isso, o Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) tem previsão para a liberação de apenas R$ 7, 2 bilhões para a safra 2008/2009, alcançando 1,2 milhões de famílias de pequenos agricultores. "O governo federal financiou com seus empréstimos o desemprego do agronegócio. Precisamos de uma nova política de crédito rural, com a criação de uma linha especial para assentados e a desburocratização das linhas para a pequena agricultura. Defendemos também que todas as empresas do agronegócio que pegaram recursos públicos e demitiram tenham suas áreas desapropriadas e que todas as famílias de trabalhadores rurais
que perderam o emprego com a crise sejam assentadas", defende Marina.

Abaixo, um panorama das ações que aconteceram na última semana.

Em Pernambuco, 200 trabalhadores rurais Sem Terra ocupam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Recife, para reivindicar o assentamento das 15 mil famílias acampadas no estado. Os Sem Terra exigem urgência para o assentamento das famílias do Acampamento São Bernardo, no Engenho Planalto, localizado no município de Paudalho, Zona da Mata Norte do Estado. O Incra deu imissão de posse do Engenho em 2003, mas até hoje as famílias ainda não foram assentadas. O Engenho Planalto estava falido quando foi ocupado pela primeira vez em 1996, há treze anos atrás. Mesmo com a desapropriação da área e a emissão de posse do Incra, as famílias continuam sem serem assentadas, e seguem acampadas na área da
prefeitura há seis anos.

Em São Paulo
, 150 famílias ocuparam a Fazenda Ibiti, no município de Itararé (350 km da capital). A área é um latifúndio de mais de nove mil hectares que atualmente está desmembrada em várias fazendas que são utilizadas por empresas privadas, cujas posses não são comprovadas. Em 1986, a Fazenda Ibiti foi decretada de interesse social para fins de desapropriação e deveria ser destinada para a Reforma Agrária (DEC 93.046/1986). No entanto, em 1991, o então presidente Fernando Collor revogou o decreto de desapropriação. Desde então a área vem sendo explorada irregularmente por empresas privadas. No total, há 12 mil famílias do MST acampadas no estado.

No Rio de Janeiro, cerca de 200 trabalhadores rurais do interior do estado ocuparam a superintendência no Incra para cobrar o assentamento das 3000 famílias acampadas. No ano passado, apenas 59 famílias foram assentadas. Os trabalhadores denunciam também o corte de 30% do orçamento do governo federal para as políticas de Reforma Agrária.

Em Alagoas
, cerca de 350 trabalhadores rurais Sem Terra estão mobilizados no Acampamento Uruçu, no município de Craíbas, agreste alagoano a cerca de 145km da capital Maceió, para denunciar a entrada da mineradora Vale Verde no estado. Os manifestantes protestam contra a exploração privada de 150 milhões de toneladas de minérios, riquezas pertencentes ao povo alagoano.

Em Goiás
, famílias do MST ocuparam dois latifúndios para cobrar o assentamento das 2.500 famílias acampadas no estado. “O ponto número um da pauta é o assentamento das famílias”, afirmou a integrante da coordenação nacional do movimento, Rosana Fernandes. O Incra tinha a meta de assentar 1.400 famílias em 2008. No entanto, foram indicadas áreas para o assentamento de apenas 96 famílias, que ainda continuam acampadas. “É uma vergonha”, avaliou Rosana. Em março, mais de 400 agricultores do MST ocuparam o prédio da superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Goiânia.
A seguir, protestos que acontecem desde o começo do mês na Jornada Nacional de Lutas do MST pela Reforma Agrária.

No Pará, a jornada teve no dia 13, com o acampamento da Juventude em Eldorado dos Carajás, palco do Massacre lembrado em abril. Mais de 500 jovens de todas as regiões do estado começaram a debater o papel da juventude na sociedade, e participam de oficinas, audiência no Incra e um ato em memória dos Sem Terra assassinados. Em Belém, trabalhadores das regiões Norte e Nordeste se concentram na Praça da Leitura, onde está localizada a “Coluna da Infâmia”, um monumento construído em homenagem às vítimas do Massacre. Mais de 400 pessoas são esperadas para participar das atividades, que incluem ato contra a criminalização dos movimentos sociais e uma marcha.

No Rio Grande do Sul
, 200 famílias ocuparam a fazenda São João D’Armada, no município de Canguçu (15/4). A área tem 1130 hectares e foi considerada improdutiva pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em 2007, mas jamais foi desapropriada. Em São Luiz Gonzaga, 300 trabalhadores rurais iniciaram uma Marcha rumo ao latifúndio, partindo de um acampamento na BR 285. Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado pelo Incra estabelecia o assentamento de 2 mil famílias de trabalhadores rurais até o final do ano passado, mas apenas 700 destas conquistaram um pedaço de chão no estado.

Em Mato Grosso, cerca de 300 trabalhadores rurais seguem marcha por Reforma Agrária, emprego e defesa do Meio Ambiente. Eles saíram de Jangada e irão caminhar 100 quilômetros até o Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, onde chegam no domingo. Na sexta-feira, em Cuiabá, será lançada a campanha “Limite da Propriedade da Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar”, puxada pelas Assembléias Populares. No estado, existem cerca de 4 mil famílias assentadas, mas em muitos assentamentos há um verdadeiro abandono governamental. Cerca de 3 mil famílias ainda amargam a vida debaixo de lonas pretas, à beira de estradas, dentro de território mato-grossense.

Na Bahia
, 400 famílias ocuparam a fazenda Culturosa, no município de Camamu (região Sul do estado), para denunciar os malefícios do monocultivo em larga escala da seringa na região (15/4).
Há três anos, o MST solicitou ao Incra uma vistoria na área, mas até agora nada foi feito. Cerca de 2 mil agricultores ocupam desde segundafeira (13/04) a sede da Seagri (Secretaria de Agricultura da Bahia), em Salvador, para pressionar o governo estadual a cumprir a pauta assumida em 2007, ano em que se estabeleceu a reforma de cinco mil casas, a construção de 1.200 quilômetros de estradas nos assentamentos, a vistoria de áreas em todo estado e a infraestrutura dos assentamentos. Em Eunápolis, 800 famílias continuam ocupando a área de 4.700 hectares de terras devolutas - utilizadas ilegalmente pela Veracel Celulose para o plantio de eucalipto (8/4). Na sexta-feira, haverá homenagem da Assembléia Legislativa do estado aos 25 anos do MST.

Em Roraima
, 70 famílias do MST ocuparam na última sexta-feira (10/04) a fazenda Autarraia, no município de Bonfim, para reivindicar a criação de um projeto de assentamento na área e mais agilidade do Incra no processo de criação de outros assentamentos no estado. Em Roraima, há três anos o Incra não cria novos assentamentos ou atua naqueles que já estão criados. Faltam estradas, habitação, energia, crédito de apoio à produção, demarcação e licenças que permitam a exploração de territórios liberados pelo Ibama.

Em Minas Gerais
, cerca de 900 famílias integram desde a quinta-feira passada (09/04) a ocupação rururbana Dandara, em Belo Horizonte. A ação foi realizada conjuntamente pelo Fórum de Moradia do Barreiro, as Brigadas Populares e o MST. As famílias ocupam 10% de um terreno de mais de 40 hectares, supostamente pertencente à Construtora Modelo. Os manifestantes apontam que o terreno, localizado no bairro Céu Azul, está abandonado há muitos anos e possui dívida de mais de R$ 18 milhões, por não pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

CARTAS DO CÁRCERE - FREI BETTO

Livraria Casa Vermelha - Divulgando a produção intelectual comprometida com a democracia e os movimentos sociais, contribuindo para a pluralidade de opiniões e o desenvolvimento de alternativas sociais e políticas para o Brasil.

CARTAS DO CÁRCERE - Frei Betto
Renato Pompeu

Frei Betto, como outros estudantes dominicanos de São Paulo, esteve preso dos 25 aos 29 anos de idade, de 1969 a 1973, condenado pela Justiça Militar como colaborador de opositores armados ao regime discricionário de então. Cartas que escreveu do cárcere a familiares, amigos e outros dominicanos foram publicadas em dois livros nos anos 1970, em pleno regime militar, Das catacumbas e Cartas da prisão.

Agora, todas as cartas das duas obras foram reunidas num volume só, intitulado Cartas da prisão – 1969- 1973, recém-lançado pela Agir. Os jovens de hoje necessitam, imprescindivelmente, conhecer como se vivia naqueles tempos. Os que passaram por aquela época também enriquecerão suas experiências se a relembrarem.

Para todos, se recomenda a leitura dessas cartas. Eis a primeira carta, de 7 de dezembro de 1969, um domingo, escrita no Presídio Tiradentes, em São Paulo: “A novidade é a própria vida na prisão. Cheguei há uma semana, tudo é novo. Talvez eu fique longo tempo neste presídio. Somos quase 200 presos políticos, entre rapazes e moças. Ocupamos uma cela grande, espaçosa, ventilada, equipada com dois banheiros, chuveiro, tanque de lavar roupa, cozinha e fogão. Somos 32, quase todos jovens.

Há dois feridos: Carlos Lichtsztejn levou quatro tiros da polícia ao ser preso; Antenor Meyer se atirou do quarto andar de um edifício ao tentar fugir. Estão em fase de recuperação. O coletivo é dividido em equipes. Cada dia uma se encarrega do serviço geral. Ontem foi a minha: levantamos cedo, varremos a cela, preparamos o café. Enquanto uns cuidavam da limpeza e dos feridos, outros cozinhavam. Consegui fazer um arroz soltinho... Ocupações: aulas de francês, ginástica, ioga, teologia, conversas.

Quando o espírito é forte, a prisão é suportável. Ninguém se mostra abatido ou chateado. Todos demonstram bom estado de espírito. Felizmente, cessaram os interrogatórios. Agora é saber aproveitar o tempo. Esse período não é um hiato em minha vida, é o seu prosseguimento normal; sei que passo por uma importante experiência”, Isso já deve bastar para interessar os leitores e leitoras a lerem o restante das cartas.

Renato Pompeu é jornalista e escritor, autor do romance-ensaio O Mundo como Obra de Arte Criada pelo Brasil, Editora Casa Amarela, e editor-especial de Caros Amigos. Artigo publicado na revista Caros Amigos edição 145/abril de 2009
Livro disponível na Livraria Casa Vermelha.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

SPORT, UMA RAZÃO PARA VIVER

Essa turma boa e da fuzaca curtiu o empate entre SPORT E NÁUTICO (a partir da esquerda, como de costume) Jamile com a camisa do centenário, Anny com a do 100% SPORT, Bráulio a da Libertadores e Laurinha o primeiro padrão. A foto foi tirada por Marmo, um alvirubro. kkkkkkkk, que nem vestiu a camisa (de 2000) porque está uns quilinhos a mais (ele, não a camisa).

Essa galera é pé quente e vibrou com sushi o tetra do rubronegro pernambucano.

Por Pedro Jorge / Redação Sportnet


O Sport precisava do empate com o Náutico para ficar com o título do Segundo Turno do Campeonato Pernambucano e consequentemente com o título do Campeonato Pernambucano de 2009.


E o Leão acabou fazendo o necessário para conseguir o tal empate: 0x0. O resultado além de ter dado o título Estadual de 2009 para o Sport de forma invicta, também fez o Leão conquistar a vaga para Copa do Brasil de 2010 (caso o clube não garanta vaga na Libertadores de 2010).


É válido ressaltar que esse foi o 38º título Pernambucano do Leão (sem contar as conquistas de Copas Pernambuco), o quarto consecutivo do Leão (pela segunda vez na história).


Também é bom lembrar que esse é o sétimo turno consecutivo que o Sport conquista. O primeiro título conquistado nessa trajetória foi em 2006 (o Segundo do Campeonato Pernambucano daquele ano).


A Campanha


Durante a campanha no Pernambucano de 2009, o Sport disputou 22 jogos. E dessas 22 partidas, o Leão venceu 19 e empatou três.


Confira todos os resultados:


1º Turno


10/01/2009 - Sport 4x0 Vitória-PE


14/01/2009 - Salgueiro 0x2 Sport


18/01/2009 - Sport 3x0 Serrano


21/01/2009 - Sport 1x0 Sete de Setembro


25/01/2009 - Porto 0x1 Sport


28/01/2009 - Ypiranga 1x4 Sport


31/01/2009 - Sport 3x1 Petrolina


04/02/2009 - Sport 2x0 Cabense


08/02/2009 - Santa Cruz 1x1Sport


11/02/2009 - Central 1 x 3 Sport


14/02/2009 - Sport 2 x 0 Náutico


2º Turno


01/03/2009 - Vitória-PE 2x3 Sport


07/03/2009 - Sport 4x2 Salgueiro


11/03/2009 - Serrano 1x3 Sport


15/03/2009 - Sete de Setembro 0x2 Sport


22/03/2009 - Sport 3x0 Porto


25/03/2009 - Sport 1x1 Ypiranga


28/03/2009 - Petrolina 0x2 Sport


01/04/2009 - Cabense 0x5 Sport


05/04/2009 - Sport 2x1 Santa Cruz


12/04/2009 - Sport 2x1 Central


19/04/2009 – Náutico 0x0 Sport


A FOTO DO TETRA

SPORT DÁ A VOLTA OLÍMPICA NOS AFLITOS

Após 31 anos sem saber o que era honrar o torcedor com a taça de campeão pernambucano, o estádio Eládio Barros de Carvalho (Aflitos) concedeu a quebra desse tabu ao Glorioso time da Praça da Bandeira.

Sport: Magrão; Igor, César e Durval; Moacir, Hamilton, Daniel (Andrade), Paulo Baier e Dutra; Wilson e Vandinho (Ciro)

Técnico: Nelsinho Batista

quinta-feira, 16 de abril de 2009

BRASIL PASSA A SER CREDOR POTENCIAL DO FMI

O Brasil participará do Plano de Transações Financeiras (PTF) do Fundo Monetário Internacional (FMI), o que coloca o País na lista de credores potenciais da instituição. Atualmente, 47 dos 185 membros do Fundo integram o PTF. Só são incluídos nesse plano os países que possuem balanços de pagamentos e níveis de reservas internacionais suficientemente robustos. Essa avaliação é feita trimestralmente pelo staff do FMI, e a lista dos países membros considerados elegíveis é submetida à aprovação da Diretoria Executiva, depois de realizadas consultas com os países em questão.

O ingresso do Brasil no PTF adquire um significado especial no período difícil que atravessa a economia mundial. Cabe ressaltar, em primeiro lugar, que na avaliação do staff do Fundo a economia brasileira preserva contas externas fortes em meio a mais grave crise internacional desde a Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, a participação brasileira no PTF indica a disposição do País de contribuir para o esforço coletivo de financiamento do FMI e de combate à crise global.

O PTF é o mecanismo básico pelo qual o Fundo financia as suas operações de empréstimo. Os membros do FMI que integram o PTF se dispõem a prover moedas de livre utilização internacional (dólares, euros, libras ou ienes) até o limite da sua quota na instituição. No caso do Brasil, a quota corresponde a US$ 4,5 bilhões. Na prática, os montantes fornecidos pelos participantes no PTF são tipicamente muito inferiores às suas quotas.

É importante frisar que o fornecimento por um país participante do PTF de recursos ao Fundo implica uma mudança na composição, mas não no nível de suas reservas internacionais. A redução nas reservas em moedas de liquidez internacional resultante da transferência de recursos para utilização pelo Fundo é compensada por um aumento no mesmo valor nas obrigações do Fundo em relação a esse país. Em outras palavras, o país utiliza suas reservas em dólares ou outras moedas de liquidez internacional para adquirir um ativo emitido pelo Fundo, denominado em direitos especiais de saque (DES), que é a unidade de conta utilizada nas transações do organismo. Esse ativo é líquido, podendo ser sacado imediatamente em caso de necessidade de balanço de pagamentos. É, portanto, parte das reservas internacionais do país membro para todos os efeitos.

Sobre os ativos assim adquiridos, os participantes do PTF recebem remuneração calculada com base na taxa de juros do DES. Essa taxa é a média ponderada das taxas de juro representativas sobre dívidas de curto prazo nos mercados monetários das quatro moedas que integram atualmente a cesta do DES (dólar estadunidense, euro, libra esterlina e iene japonês). Nos meses recentes, essa taxa foi de 0,42%.

A inclusão do País no PTF deverá ser formalizada até o final deste mês e o Brasil passará a fazer parte da lista de credores potenciais do Fundo a partir de 1º de maio.
Em Questão

O DIA EM QUE O BRASIL FOI INVADIDO

http://www.youtube.com/watch?v=JffmWtjxVq8

domingo, 12 de abril de 2009

PERNAMBUCO PERDE UM HOMEM DA LUTA DEMOCRÁTICA

Carlos Wilson Campos, 59, faleceu na noite de ontem no Hospital Santa Joana, no Recife, em virtude de complicações de um câncer no pâncreas, o qual lutava há mais de 5 anos. Cali, como era conhecido pelos amigos, iniciou sua vida pública aos 23 anos como deputado federal, exerceu a vice-governadoria do estado ao lado de Miguel Arraes e assumiu o governo durante 11 meses em 1990.

No governo Itamar Franco (1992-1994) ocupou a secretaria nacional de irrigação. Como senador, foi presidente da CPI das obras inacabadas em 1995, destacando-se na luta pela moralização do erário em detrimento dos interesses eleitoreiros dos mandatários executivos.

Eleito senador em 1994, assumiu a presidência da Infraero no 1º mandato do presidente Lula (2003-2006).

Carlos Wilson passou por várias legendas na sua vida pública: Arena, PDS, PMDB, PSDB, PPS, PTB e PT. Mas foi nos anos 80 que ele demosntrou sua veia democrática ao romper com o PDS e se filiar ao PMDB, apoiando a candidatura de Tancredo Neves contra Paulo Maluf no Colégio eleitoral.

Com um quadro político-partidário cada vez comandado por caciques, Cali foi 'rifado' por Jarbas na disputa pela prefeitura do Recife em 1992, quando o PSDB (seu partido na ocasião) não o lançou candidato, preferindo indicar Silvio Pessoa como vice de Jarbas.

No PPS, tentou a prefeitura em 2000, ficando em 3º lugar. No segundo turno apoiou a candidatura do então dep. estadual João Paulo (PT) contra Roberto Magalhães (PFL). Nessa disputa seu guia eleitoral marcou história com o personagem Mané Chinês fazendo críticas ilárias à então administração pefelista.

Sem espaço no PPS, com a aproximação deste partido com o campo conservador, Cali migra para o PTB onde tenta se reeleger senador, ao lado de Dílson Peixoto, na chapa de Humberto Costa (PT) em 2002, mas perde para Marco Maciel (PFL) e Sérgio Guerra (PSDB).

Em 2003, Cali se filia ao PT e assume a presidência da Infraero modernizando, ampliando e construindo aeroportos por todo o país. O aeroporto de Recife é concluído na sua gestão após 8 anos de obras inacabadas (que ele mesmo tinha criticado como parlamentar). eleito deputado federal em 2006 pela legenda petista, Carlos Wilson passou por várias complicações e não pode atuar como gostaria.

Talvez prevendo sua partida, fez as pazes com antigos adversários, a exemplo de Jarbas Vasconcelos, e concedeu uma de suas últimas entrevistas ao Jornal do Commercio em janeiro desse ano, onde abordou sobre a política, seu passado, suas expectativas e sobre sua doença.

Descanse em Paz Cali! Recife, Pernambuco, o Brasil e o Náutico (seu time de coração e o qual era conselheiro) sentirão sua precoce partida. O História Vermelha se solidariza à família Campos em seu luto.

PERNAMBUCO SE DESPEDE DE CALI


Presidente Lula presta últimas homenagens ao deputado Carlos Wilson
FOTO: Alexandre Auler. JC.

Na foto, o prefeito Joao da Costa, o Governador Eduardo Campos,
o dep. estadual e irmão de Cali, André Campos, e o presidente Lula.

Independente de partidos, também compareceram ao velório os ministros José Múcio Monteiro e Franklin Martins, o senador Jarbas Vasconcelos, o ex-ministro da fazenda Gustavo Krause, o ex-governador Mendonça Filho, o secretário Humberto Costa, o ex-prefeito do Recife João Paulo, os deputados José Chaves, Paulo Rubem Santiago, Fernando Ferro, Pedro Eugênio e Maurício Rands, além do vereador Luciano Siqueira, o prefeito de Olinda Renildo Calheiros e a ex-prefeita Luciana Santos.

sábado, 11 de abril de 2009

FELIZ PÁSCOA CALVIN E HAROLDO

ESSE É O ABRAÇO DO HISTÓRIA VERMELHA


http://oresenhista.files.wordpress.com/2007/03/calvin1p.jpg
BOA PÁSCOA!!!

A PÁSCOA DO CAPITALISMO POR ANGELI

PÁSCOA BRASILEIRA SEGUNDO MILLÔR FERNANDES

http://www.panoramablogmario.blogger.com.br/deus_millor.jpg

Hummm...

HORA EXTRA NO CONGRESSO

http://lapidariodecultura.files.wordpress.com/2009/03/horas-extras-no-congresso-nacional1.jpg

ZOOLOGIA POLÍTICA

Por Juracy Andrade (juracy@jc.com.br)
Estivadores mostram Carteira do Trabalho, no Rio de Janeiro - 1961 por Ano 1961.

Nossos tão éticos, exemplares costumes políticos adquiriram um ar zoológico (pobres dos animais!) quando o nosso saudoso xogum Fernando 2º bradou, com santa ira, que a política brasileira está cupinizada por um governo que não seria como o dele, limpo e chique. É bem verdade que famintos e vorazes petistas e aliados levaram muito cupim para a nomenklatura governamental, sob Lula.

Mas nada que se possa comparar, por exemplo, à farsa do real em paridade com o dólar e à farra das privatizações à la Fernando 2º et caterva. Não esqueçamos que o mensalão começou no governo de bico grande. Ao xogum incomoda cupim na política, mas a PF está investigando também cupim tucano na Operação Castelo de Areia.

Esse aspecto zoológico se acentua quando uma certa empreiteira aí, muito bem cotada quando se pensa em obras públicas, como suas coirmãs aliás, é pilhada em contubérnio com políticos. Para poderem se referir a paraísos fiscais que recebiam suas remessas de origem duvidosa sem levantar suspeitas, os empreiteiros (conforme consta de investigações) põem nomes de animais nos países que bondosamente hospedam a grana chamada de por fora, ou propina mesmo.

O envolvimento da Camargo Corrêa com partidos não é nenhuma novidade. Esse velho costume está documentado por Samuel Wainer em sua autobiografia póstuma Minha razão de viver, e o jornalista Jânio de Freitas já documentou o esquema como funcionam as concorrências, através de anúncios classificados que antecipavam os resultados fraudados.

Para retribuir as bondades, empresas que sempre vencem as licitações têm que superfaturar o custo das obras, como consta estar acontecendo na terraplenagem da Refinaria Abreu e Lima. As fraudes da atual safra investigada pela PF incluem lavagem de dinheiro, remessas ilegais ao exterior, desvio de dinheiro público e contribuições irregulares a políticos, num montante que pode ultrapassar R$ 500 milhões. A compra de uma eleição é cara. E os que dizem nos representar politicamente são insaciáveis (louvemos as exceções). Desde que JK criou algumas mordomias para atrair suas excelências à então inóspita Brasília, eles só fazem aumentá-las sôfrega e indefinidamente. Mandato parlamentar virou meio de vida.

Um parlamentar tem direito (direito?) a R$ 33 mil em passagens aéreas por mês para visitar suas “bases”, ansiosas por presenças tão ilustres. Quem mora em Brasília também recebe. O deputado brasiliense Alberto Fraga (DEM), licenciado, paga uma empregada doméstica sua com dinheiro da Câmara. Ela é contratada como secretária parlamentar. Questionado pela imprensa, o distinto partiu para o “perigoso terreno da galhofa”, como dizia Stanislaw Ponte Preta, afirmando que tem dinheiro para pagá-la, mas não usa porque não quer, e rematando: “Não tenho nenhum tipo de receio de vocês”. Pra que receio? Ele e muitos outros “representantes” ainda farão o que querem e deixarão de fazer o que não querem por muito tempo.

Para completar um artigo que trata de política, registro os 87 anos do PCB, o velho Partidão. Não se tem notícia de escorregos éticos em sua longa história, embora tenhamos de admitir que cometeu equívocos e erros táticos e estratégicos. No início dos anos 60 do século passado, sob o impacto da denúncia dos crimes de Stálin pelo premiê soviético Nikita Krustchev, sofreu uma dissidência que retomou o nome primitivo do partido, Partido Comunista do Brasil, com a sigla PCdoB. O nome tinha sido mudado porque fora um dos pretextos para a cassação do registro do Partidão e dos mandatos dos parlamentares eleitos sob a legenda em 1945: o partido não seria brasileiro, seria da Internacional Comunista, por isso intitulando-se apenas “do Brasil”. Ética e projeto político popular incomodam.

» Juracy Andrade é jornalista

PREVINIR É MELHOR

Por Amaury Medeiros (amamed@hotmail.com)

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Peço desculpas aos leitores por insistir em falar sobre aborto. Acredito que vocês já estejam saturados de tanto ouvir e ler sobre o polêmico tema, sobretudo após o comentado caso da menina estuprada pelo padrasto. Quanto ao controvertido arcebispo, que descanse em paz em sua aposentadoria que se avizinha.

Continuar batendo nele é pura maldade. Parece-me um boxeador, estendido no ringue, nocauteado por múltiplos golpes, legais uns e desonestos outros, desferidos por diversos agressores ao mesmo tempo. Que tenhamos por dom José o sentimento que ele não teve para com as pessoas envolvidas no discutido episódio: piedade! Errar é humano! Você pode ser contra ou a favor do abortamento, ou mesmo indiferente, a realidade é que ele merece reflexões profundas e desperta questionamentos inquietantes. O decidir é pressionado por consideração básica: quando a vida começa? Partindo dessa premissa, a maneira de encará-lo difere entre as crenças religiosas, mudando de povo para povo ou na mesma civilização em épocas diversas.

O ponto mais controvertido, o divisor das águas, é estabelecer o momento exato em que a semente implantada na cavidade uterina recebe o sopro da vida, deixando-se penetrar pela alma que a torna eterna.

É fácil compreender o porquê de tanto debate sobre abortar ou não abortar e mesmo de quando abortar. Os holofotes se acendem quando acontece caso de menor estuprada e que engravida. Ficam nos esquecimentos as jovens que o fazem por engano, desencanto ou ignorância e carregam dentro de si um ser indesejado. Lembrar sempre que pior que ter um filho indesejado, é ser um filho indesejado. As mulheres não têm o direito de decidir por si mesmas, donas que são de seu próprio corpo? Sendo procedimentos ilegais e execrados com excomunhões não induzem, principalmente as pobres, aos recursos clandestinos, pondo em risco suas próprias vidas? Milhares morrem anualmente em tais situações.

As ricas procuram clínicas particulares e abortam com segurança tendo a cobertura de médicos especializados. É justo? Por que na maioria dos países de primeiro mundo legalizaram-no, até mesmo na Itália, berço do infalível Vaticano? E aquelas que engravidam nas prisões parindo filhos que crescem com tendência à criminalidade?

Encheríamos páginas e mais páginas falando sobre o tema. A controvérsia continua. Existe um aspecto do problema esquecido pelos que dele tratam. Nós médicos sabemos que a melhor maneira de encarar as doenças é prevenindo-as. O mesmo se aplica ao aborto: o modo mais eficaz dele cuidar é prevenindo-o.

Que o planejamento familiar seja visto com responsabilidade. Nos cárceres, nas favelas, em todos os recantos estratégicos, deveriam existir postos de saúde que inscrevesse os interessados e os encaminhasse para os centros especializados em vasectomia. E mais: campanhas públicas de estímulo e esclarecimento. Quando se faz uma laqueadura evitasse que uma mulher seja engravidada e quando se faz uma vasectomia evitasse que várias mulheres engravidem. Que se modifique com urgência a Lei 9.263 que limita o direito de vasectomia e laqueadura de trompa para homens e mulheres com mais de 25 anos e com pelo menos dois filhos. Ela deveria ser mais liberal e abrangente.

Nas mãos do presidente Lula o sancionar da lei aprovada pelo Congresso que obriga aos convênios inserirem em seus pacotes assistenciais os métodos anticonceptivos. Esperamos que o nosso presidente tenha a sensibilidade suficiente para sancioná-la. Que também se faça o uso generoso e indiscriminado da camisinha.

O deputado Jair Bosanaro, muitas das vezes intempestivo, teve a coragem e certo bom senso, com ressaibo de ironia, de afirmar da tribuna da Câmara: "Lula, além de um milhão de casas, deveria anunciar a realização de um milhão de vasectomias e um milhão de laqueaduras. Do contrário, daqui a pouco tempo, terá que fazer outro milhão de casas". Oremos aos céus que a próxima Campanha da Fraternidade tenha como mote o planejamento familiar e/ou a paternidade responsável. Dificilmente nossas preces serão ouvidas... Nada mais cristão do que diminuir os horrores da aids, as atribulações do aborto e o grassar da miséria com seu cortejo cruel que conduz ao uso de drogas e à criminalidade. Prevenir é melhor que remediar!

Amaury Medeiros é membro da Academia Pernambucana de Medicina

ISSO É UM ASSALTO

Por Joca Souza Leão (jocasouzaleao@gmail.com)

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“Se não quiser morrer, passe a chave do carro, o dinheiro e caia fora". A distância, ouvi alguém recomendar a uma senhora: "Dona Lurdes, não vá praquele lado não que tá tendo um assalto." Não tem mais lugar, nem dia nem hora. Tava a 200 metros da casa do governador de então, no Rosarinho, num sábado chuvoso de junho, 11 horas da manhã. Se nunca aconteceu com você, sorte sua. E minha, que aconteceu, mas tô aqui contando a história.

Parei o carro em frente ao edifício de minha mãe. Desci e abri a porta de trás, pra pegar um bolo que estava levando pra ela. Fechei a porta. "Isto é um assalto".

Quando olhei pro lado, um sujeito, a meio metro, apontava um revólver engatilhado pra mim. Entreguei a chave do carro. Ele fez um gesto com a outra mão. Pensei, "é agora". Esperei o estampido. Mas ele desengatilhou o revólver segurando o cão com o polegar. Botou o revólver na cintura. Eu estava com as mãos ocupadas: bolo numa e sacolinha com minhas coisas na outra. Ele passou as duas mãos em revista nos bolsos da minha bermuda.

Não era forte. E era mais baixo que eu. Pensei em enfiar o bolo na cara dele e arrancar-lhe a arma da cintura. Ainda bem que não o fiz. "Vombora, vombora!", disse alguém do outro lado. Era o comparsa, com uma sombrinha estampada pra se proteger da chuva miúda e uma pistola apontada pra mim. Pegaram meu relógio e a sacola com celular, algum dinheiro e documentos, entraram no carro e se mandaram. Que sentimento terrível. Impotência, covardia, medo, revolta, perda... Você se sente um merda.

Ideia brilhante! Ligar pro meu celular e negociar com o bandido a recompra das coisas e do carro pelo preço que eles venderiam aos receptadores. Vi na televisão e deu certo. O cara recomprou tudo por um quinto do preço. Em se tratando de mundo cão, bom negócio. "Alô! Quer negociar comigo?", propus com firmeza. "Seu Joca, eles jogaram a sacolinha do senhor com o celular na rua, quem tá falando aqui é o porteiro do prédio." Se a ideia era de jerico ou não, fiquei com o benefício da dúvida. A tarde do sábado foi pra cancelar cartões de crédito, comunicar à seguradora o roubo do carro, B.O. na Polícia Civil, Polícia Rodoviária, essas coisas.

Uma semana depois, o carro apareceu mais ou menos inteiro no estacionamento do Moinho Recife, vizinho à favela Pilar. No banco de trás, uma pistola 9 mm. De plástico. "Doutor, seu carro foi usado pra assaltar banco. Eles usam arma de plástico pra entrar, por causa do detector de metal nas portas dos bancos", explicou o sargento da PM.

À noite, contei esta história na casa de meu irmão Caio, tomando um uisquinho, que se não contribui com a memória, ajuda a soltar as palavras e afrouxar as emoções. Audiência atenta e comovida. Pelo menos era o que eu pensava. Caio fez um resumo da história. Alguns detalhes lhe pareceram relevantes. E tirou suas conclusões.

"Você foi assaltado por um cara mais baixo do que você. Quer dizer, anão. E por um comparsa com sombrinha, quer dizer, veado. Se você tivesse enfiado o bolo na cara dele, teria produzido uma cena de comédia pastelão, d"O Gordo e o Magro. Agora, anão e veado com revólver de plástico só mesmo numa chanchada de Oscarito."

Caro leitor, se você for assaltado, omita alguns detalhes quando for contar. Neles, nos detalhes, encontram-se as diferenças essenciais entre uma tragédia shakespeariana, um drama de novela das seis e uma comédia de terceira. E se seu irmão for tão bem-humorado quanto o meu então, todo cuidado é pouco.

P.S. – Frase do ano, anotada e enviada pelo meu amigo e leitor Hilton Cunha Júnior: "Jesus é o caminho. E eu sou o pedágio" (Edir Macedo).

» Joca Souza Leão é publicitário e cronista

MOVIMENTOS SOCIAIS LEMBRAM 45 ANOS DA CHEGADA DE D. HÉLDER AO RECIFE

Do JC Online
O evento é gratuito e acontece neste domingo (12), a partir das 15h, no Colégio Salesiano
O evento é gratuito e acontece neste domingo (12), a partir das 15h, no Colégio Salesiano
Foto: Divulgação

Em celebração aos 45 anos da chegada de dom Helder Camara ao Recife e ao cenetário de seu nascimento, movimentos sociais populares criados pelo próprio religioso e outros surgirdos a partir destes realizam a celebração Dom de Deus, a que vieste? O evento é gratuito e acontece neste domingo (12), a partir das 15h, na Quadra do Colégio Salesiano Sagrado Coração, na Ilha do Leite, Zona Norte do Recife.

Como base da programação do evento estão 11 pontos importantes do discurso de posse do então arcebispo de Olinda e Recife. Representantes dos diversos movimentos vão dar testemunho sobre cada palavra discursada e grupos musicais dão o tom do evento com os cantos mais significativos daquela época.

Com roteiro escrito por Reginaldo Veloso, o evento terá participação do Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social (Cendhec), Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC), Encontro de Irmãos, Jovens do Meio Popular, Trapeiros de Emaús, Mulheres contra o desemprego, Cursilho, Casa de Frei Francisco, Grupo Igreja Nova, Tururu, Operação Esperança (engenhos), Serta, Cáritas, Instituto Dom Helder Camara (IDHeC) entre outros.

COTAS RACIAIS POR QUE SIM?

O História Vermelha recomenda leitura de um interessante estudo a respito da adoção das políticas afirmativas de inclusão dos negros e dos pobres (não seriam os mesmos?) na vida acadêmica.

O estudo foi realizado pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) em conjunto ao Observatório da Cidadania, intitulado COTAS RACIAIS, POR QUE SIM?

Vale a pena ler. Segue o link: http://www.ibase.br/userimages/ibase_cotas_raciais_2.pdf

ENEM PODE SUBSTITUIR VESTIBULAR E ALTERAR MATRIZ CURRICULAR DO ENSINO MÉDIO

Menina segurando livros

O atual modelo de avaliação dos vestibulares pode mudar. O Ministro da Educação, Fernando Haddad, pretende implantar uma nova forma de avaliação para o ingresso no ensino superior. Proposta do Ministério da Educação (MEC) foi enviada aos reitores da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e será analisada.

De acordo com o ministro Haddad, o atual sistema de seleção privilegia a "decoreba" ao invés de estimular o desenvolvimento do senso crítico e do raciocínio. O ministro acredita que, ao cobrar esses conteúdos da maneira como vem sendo feito, as Universidades e faculdades influenciam negativamente a grade do Ensino Médio. Para Haddad, essa é uma das principais causas da má qualidade do Ensino Médio brasileiro. "O vestibular está desorganizando o currículo do Ensino Médio. Os assuntos cobrados não colaboram para a compreensão do mundo e seus fenômenos", disse o ministro.

Uma semana após o lançamento do projeto, o Conselho Pleno da Andifes debaterá as mudanças propostas pelo ministro. Para o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior e reitor da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco-, Amaro Lins, ainda é cedo para qualquer definição: "Não temos uma opinião única dos reitores, isso ainda será bastante discutido por todos nós. Lembrando que a decisão não depende exclusivamente dos reitores, mas de todo um conselho de cada universidade.", disse o reitor.

AINDA ACHO POUCO r$ 950,00 COMO PISO SALARIAL DO PROFESSOR, DIZ LULA

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou que "acha pouco" o valor do piso nacional para os professores de R$ 950. "Não damos mais porque não temos condições", afirmou. Lula disse que ter criado o piso nacional do professor o "enche de orgulho", pois "a condição fundamental para melhorar qualidade de ensino é ter um professor motivado e qualificado".

O presidente falou a uma plateia de cerca de 300 comunicadores de radiodifusão, em encontro promovido pelo MEC (Ministério da Educação) na manhã desta quarta (8), em Brasília.

Ainda sobre a temática do piso nacional, Lula falou que acreditava que "um monte de gente ia aplaudir [a iniciativa]". "E agora tem um monte de ação no STF [Supremo Tribunal Federal] contra", completou o presidente informando que o governo vai aplicar R$ 5 bilhões neste ano para complementar a verba dos Estados e municípios.

Fazendo um balanço das ações da educação, o presidente comentou sobre a importância do Reuni, programa de expansão das universidade federais, e do Prouni (Programa Universidade para Todos), de bolsas de estudos do governo federal.

Sobre o primeiro, Lula voltou a criticar os opositores do Reuni: "Eu achava extraordinário e simples de fazer, sair de 12 para 18 alunos por professor e sabe quantas reitorias foram quebradas? Vinte. Por quem? Por pessoas de posses que tinham sua vaga garantida. Aprovamos quase na marra".

Para o presidente, o Prouni é o "caminho das pedras para colocar os pobres na universidade". Ele se referiu ainda a um "dado sagrado": são jovens da periferia e 40% dos bolsistas são meninos e meninas negros.

Lula ainda desafiou Fernando Haddad a expandir o programa de ensino a distância, o Universidade Aberta, aos países africanos de língua portuguesa. "Você vai ter de me dar esse presente até o final do nosso mandato. Eu não sei o que você vai ser, mas eu não vou ser presidente", disse.

Fonte: Folha On Line

PSB DIZ QUE CRISE AMEAÇA DILMA E LANÇA CIRO GOMES

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Com a tese de que é necessário lançar dois candidatos governistas para forçar um segundo turno na eleição presidencial de 2010, o PSB começou a executar um giro nacional para colocar em evidência o presidenciável do partido, Ciro Gomes.

A articulação já ganhou até um nome, a chamada “Operação Pernambuco”. Trata-se de uma referência às eleições de 2006 naquele Estado, quando a oposição lançou dois candidatos, Eduardo Campos (PSB) e Humberto Costa (PT), contra o candidato do governo, Mendonça Filho (DEM), então favorito e apoiado pelo ex-governador do Estado, Jarbas Vasconcellos (PMDB). A oposição conseguiu forçar o segundo turno e Campos acabou vencendo.

“O governo não pode ficar só com a Dilma, é muito arriscado”, advertiu o senador Renato Casagrande (ES) na reunião da executiva do PSB, na semana passada, em referência à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Uma economia em queda expõe as mazelas do governo”, emendou o senador.

O temor da cúpula socialista é de que as dificuldades econômicas arrastem a candidatura da petista Dilma, abrindo espaço para a vitória em primeiro turno do candidato da oposição. O PSB aposta todas as suas fichas na candidatura do governador paulista José Serra (PSDB), e também não tem dúvidas de que grande parte do debate de campanha se dará em torno da gestão pública, área em que o tucano tem mais experiência.

É com base na pesquisa que os líderes do PSB pretendem conversar com Lula sobre a conveniência de se lançar mais um candidato da base governista. “Vamos mostrar ao presidente nossas razões. Em 2002, nossas assessorias se entenderam muito bem. Vamos tentar convencê-lo”, disse Amaral. O partido acredita que pode melhorar o potencial de votos, que em 2006 ultrapassou 21 milhões. “Dos três candidatos (Serra, Dilma e Ciro), ele foi o que teve menos exposição. Ainda assim, aparece bem nas pesquisas”, afirmou o presidente do PSB paulista, Márcio França.

O partido quer que Ciro aproveite a vertente economista e mergulhe nos temas sobre o País. “Eu sei onde está o dinheiro”, chegou a comentar o ex-ministro, em entrevista recente à Rede TV ao ser indagado sobre as respostas para a crise.

Fonte: AE

sexta-feira, 10 de abril de 2009

MEU NOME É CRISE

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Por Frei Betto

Há tempos não se falava tanto de mim como agora. Tudo por causa de uma crise no sistema financeiro. A África anda, também há tempos, em crise crônica - de democracia, de alimentos, de recursos; quem fala disso?

Existe ameaça de crise do petróleo; governantes e empresários parecem em pânico frente à possibilidade de não poder alimentar 800 milhões de veículos automotores que rodam sobre a face da Terra.

No último ano, devido ao aumento do preço dos alimentos, o número de famintos crônicos subiu de 840 milhões para 950 milhões, segundo a FAO; mas quem se preocupa em alimentar miseráveis?

Meu nome deriva do grego krísis, discernir, escolher, distinguir - enfim, ter olhos críticos. Trago também familiaridade com o verbo acrisolar, purificar. Ao contrário do que supõe o senso comum, não sou, em si, negativa. Faço parte da evolução da natureza.

Houve uma crise cósmica quando uma velha estrela, paradoxalmente chamada supernova, explodiu há 5 bilhões de anos; seus cacos, arremessados pelo espaço, deram origem ao sistema solar. O sol é um pedaço de supernova dotado de calor próprio. A Terra e os demais planetas, cacos incandescentes que, aos poucos, se resfriaram. Daqui a 5 bilhões de anos o sol, agonizante, também verá sua obesidade dilatada até se esfacelar nos abismos siderais.

Todos nós, leitores, passamos pela crise da puberdade. Doeu ver-nos expulsos do reino da fantasia, a infância, para abraçar o da realidade! Nem todos, entretanto, fazem essa travessia sem riscos. Há adolescentes de tal modo submersos na fantasia que, frente aos indícios da idade adulta, que consiste em encarar a realidade, preferem se refugiar nas drogas. E há adultos que, desprovidos do senso de ridículo, vivem em crise de adolescência. ..

Resulto da contradição inerente aos seres humanos. Não há quem não traga em si o seu oposto. Quantas vezes, no trânsito, o mais amável cidadão arremessa o carro sobre a faixa de pedestres; a gentil donzela enfia a mão na buzina; o aplicado estudante acelera além da conveniência! Não é fácil conciliar o modo de pensar com o modo de agir.

Estou muito presente nas relações conjugais desprovidas de valores arraigados. Sobretudo quando a nudez de corpos não traduz a de espíritos e o não-dito prevalece sobre o dito. Felizmente muitos casais conseguem me superar através do diálogo, da terapia, da descoberta de que o amor é um exercício cotidiano de doação recíproca. O príncipe e a fada encantados habitam o ilusório castelo da imaginação.

Agora, assusto o cassino global da especulação financeira. Acreditou-se que o capitalismo fosse inabalável, sobretudo em sua versão neoliberal religiosamente apoiada em dogmas de fé: o livre mercado, a mão invisível, a capacidade de auto-regulação, a privatização do patrimônio público etc.

Dezenove anos após fazer estremecer o socialismo europeu, eis-me a gerar inquietação ao mercado. A lógica do bem-estar não lida com o imprevisto, o fracasso, o inusitado, essas coisas que decorrem de minha presença. Os governantes se apressam em tentar acalmar os ânimos como a tripulação do Titanic, enquanto a água inundava a quilha, ordenou à orquestra prosseguir a música...

Tenho duas faces. Uma, traz às minhas vítimas desespero, medo, inquietação. Atinge aquelas pessoas que não acreditavam em minha existência ou me encaravam como se eu fosse uma bruxa - figura mitológica do passado que já não representa nenhuma ameaça.

Minha outra face, a positiva, é a que a águia conhece aos 40 anos: as penas estão velhas, as garras desgastadas, o bico trincado. Então ela se isola durante 150 dias e arranca as penas, as garras, e quebra o bico. Espera, pacientemente, a renovação. Em seguida, voa saudável rumo a mais 30 anos de vida.

Sou presença frequente na experiência da fé. Muitos, ao passar de uma fé infantil à adulta, confundem o desmoronar da primeira com a inexistência da segunda; tornam-se ateus, indiferentes ou agnósticos. Não fazem a passagem do Deus "lá em cima" para o Deus "aqui dentro" do coração. Associam fé à culpa e não ao amor.

Acredito que este abalo na especulação financeira trará novos paradigmas à humanidade: menos consumismo e mais modéstia no padrão de vida; menos competição e mais solidariedade entre pessoas e empreendimentos; menos obsessão por dinheiro e mais por qualidade de vida.

Todas as vezes que irrompo na história ou na vida das pessoas, trago um recado: é hora de começar de novo. Quem puder entender, entenda.

....A DESCRIÇÂO ACIMA NADA MAIS É DO QUE NOSSO AMIGO PLUTÃO MOSTRANDO A SUA FACE.....LÁ NO ALTO DE CAPRICÓRNIO....E VIVA A VIDA!

ELEIÇÕES 2010 E O PÓS LULA

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CONJECTURAS


Mal começou 2009 e já começaram as especulações sobre a sucessão do presidente Lula. Encerrado o debate sobre uma possível tentativa de pleitear o terceiro mandato (que seria provavelmente aceita pelo povo), o presidente tenta emplacar a ministra chefe da casa civil como candidata petista.

Não obstante o silêncio da base governista (ou seria do Lula?), Ciro Gomes (PSB) voltou a colocar seu nome no debate sucesório, não se sabe se ao certo para valer ou se para barrar uma aliança PT-PMDB, que contaria com seu nome para a vice de Dilma Roussef.

Aécio Neves nega ser vice de Serra e poderia compor uma chapa pelo PMDB, alternativa para Ciro Gomes numa sonhada aliança entre PSB-Aécio, mas rejeitada pelo governador de Pernambuco Eduardo Campos, presidente da legenda socialista.

SEMPRE GOVERNO

De certo o PT dá uma guinada (mais uma) à direita ao valorizar demasiadamente um partido que desde 1985 não sai do governo independente da sua coloração ideológica. O velho PMDB de guerra, o antigo MDB de Fernando Lyra, Ulysses Guimarães, Marcos Freire, Cristina Tavares e tantos outros, combativo à ditadura durante os anos 70 e 80 já faleceu há muito tempo. Restaram apenas fragmentos compostos por lideranças regionais, a exemplo do partidarismo provincial da República Velha.

JARBAS INVENTOU A RODA?

A descoberta do DNA corrupto e governista pelo senador (também peemedebista) deve-se a uma provável estratégia de desmerecer a aliança com os petistas, já que os ex-baluartes da ética decorrem seu tempo justificando seus 'erros' a partir do discurso sofismático e baixo de que 'se os outros podem, eu também faço'. Jarbas conseguiu mais uma proeza, alimentar que uma aliança entre o partido 'do DNA corrupto' com o PSDB seria 'natural'.

PRA ONDE VAI O PT?

No PT, perdeu-se a noção do debate de ideias e da democracia proletária. Talvez os antigos socialistas sejam hoje superados, a luta de classes não exista mais, o mercado seja o deus de uma crise perpétua tão necessária à sobrevivência do capitalismo e o culto à persolnalidade sobre o presidente Lula gere uma discussão necessária: que rumo tomará o Partido dos Trabalhadores quando seu líder maior se aposentar da presidência?

Virará também um PMDB transgênico com discurso à esquerda voltado à manutenção do aparelhismo sobre os movimentos de massas? Ou conseguirá retomar a ética, a democracia e o socialismo como valores universais?

A conferir.

ESPAÇO CHICO BUARQUE

O Chico escritor está sendo muito comentado no mundo inteiro a respeito do seu novo livro LEITE DERRAMADO. Segundo alguns críticos, a nova obra supera BUDAPESTE (2003), chegando a ser comparado na tipicidade lírica a Machado de Assis.

Pode ser exagero, mas havemos de convir que o Brasil é um país saudosista que não admite comparações aos seus imortais. Machado nunca perderá sua importância, assim como Chico Buarque de Holanda, em seu estágio de apuramento literário, nunca deixará de ser o maior letrista brasileiro de todos os tempos.

Sou suspeito para comentar sobre Francisco Buarque de Holanda, mas prometo após a leitura completa da obra, tecer opiniões críticas (como de praxe) acerca da mesma.

Enquanto isso, apreciem o próprio autor lendo uma parte de seu novo livro.

ESPAÇO CHICO BUARQUE

OUTROS SONHOS... SEMPRE SERÃO POSSÍVEIS!

http://www.youtube.com/watch?v=LIs9anDRns0

quarta-feira, 8 de abril de 2009

CORAÇÃO LEVIANO

Sessão Lupicínio Rodrigues interpretado por Fundo de Quintal. Um clássico da boemia, pra quem curte um chopinho e um violão.

http://www.youtube.com/watch?v=VrbNfNBuo8U

sábado, 4 de abril de 2009

A "NOVA PETROLINA" CAINDO PELAS TABELAS

Uma imagem fala por mil palavras.


Buracos, esgotos ao céu aberto, falta d'água nos bairros e no centro. Esse é o descaso da atual gestão da prefeitura de Petrolina. Eleito sobre o slogan: 'Por uma Nova Petrolina', assistimos o velho filme atrelamento a interesses político-familiares de outrem, além do engajamento em campanha já exposta às ruas para deputado federal, a do ex-prefeito Guilherme Coelho (DEM).

A gestão de Júlio Lóssio (PMDB) ainda não disse a que veio. Faltam projetos, iniciativas com relação à periodicidade da coleta de lixo, melhoria nas escolas, concurso para professores e funcionários da administração municipal (inchada por cargos comissionados. ALÔ SENADOR JARBAS, OLHA TEU PMDB AÍ!!!) e comunicação com o povo.

Aliás, por falar em comunicação, o prefeito nomeou o radialista Daniel Campos para a ouvidoria do município. Mas será que o prefeito precisa de tanta comunicação? Não seria mais fácil descer do pedestal e visitar os bairros, conversar com o povo ao invés de distribuir sorrisos e acenos como exageradamente fez durante a campanha que o conduziu à vitória? Por sinal, faz tempo que o prefeito não sorri... A sedução eleitoral é substituída pela face sisuda (e real) de quem não precisa mais de votos!!!

Petrolina anda decepcionada com o perfil despreparado da gestão e o povo come comida, não come conversa não.

OS FANTASMAS DA SANTIAGRAHA

Nenhuma novidade nas recentes escaramuças envolvendo a trama de interesses que protege Daniel Dantas, Veja e afins. Assim permanecerá por algum tempo, até que o assunto desfaleça nas catacumbas processuais ou, na pior das hipóteses, as próximas eleições sejam contaminadas pela agenda do sinistro Gilmar Mendes.

As manchas político-partidárias continuam lá, nos mesmos nomes, nas idênticas motivações e nos repetidos estratagemas utilizados há anos pelo esquema arquitetado para favorecer José Serra.

Basta relembrar onde tudo começou.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com/2008/11/operao-jos-serra.html

OBAMA SOBRE O PRESIDENTE LULA: ESSE É O LÍDER MAIS POPULAR DA TERRA

http://www.youtube.com/watch?v=hwqle2t9C4c

NOBEL DA PAZ PARA LULA

POR GEORGES BOURDOUKAN

Lula pode ser o próximo ganhador do Nobel da Paz. Quem me confidenciou esta informação foi um embaixador de país árabe sediado em Brasília.

De acordo com esse embaixador, se depender do Oriente Médio (excluindo Israel) e dos países africanos, Lula pode considerar-se vitorioso.

Segundo o embaixador, quem deu a partida foi o presidente Obama, cuja manifestação de carinho ao brasileiro foi repercutida em todo o mundo.

Ao se referir a Lula “esse é o cara…Eu adoro esse cara”, o presidente estadunidense nada mais fez do que lançar a candidatura do presidente brasileiro ao Nobel da Paz.

“Ele é o político mais popular da terra”, continuou o presidente Obama. Nem completou a frase, pois outros presidentes o acompanharam endossando a sua admiração pelo brasileiro.

O Fome Zero, criado por Lula, foi muito discutido no encontro do G-20 e olimpicamente ignorado pela mídia brasileira.

Outra manifestação muito comentada durante o encontro foi a verdade universal dita pelo presidente Lula sobre os responsáveis pelas eternas crises mundiais. Os tais brancos de olhos azuis.

Obama, de acordo com a minha fonte, “ficou maravilhado com o arrojo do brasileiro, ao descer do trono e manifestar uma verdade que ninguém tinha coragem de dizer”.

http://blogdobourdoukan.blogspot.com/

sexta-feira, 3 de abril de 2009

SEMI-ÁRIDO MAIS PRODUTIVO

por André de Oliveira

Em Crateús (CE) alunos cultivam mudas nativas e horta que, além de produzir alimentos, combatem o risco de desertificação

Na zona rural de Crateús, município de 72 mil habitantes no sertão do Ceará, a Escola de Cidadania de Santa Rosa está aproximando as dez comunidades e os mais de 200 alunos que atende de um problema grave do Semi-árido brasileiro: a desertificação. Para evitar que o solo da região se degrade, transformando-se em deserto, fenômeno causado pelos desmatamentos e pelas queimadas irregulares, a escola conscientiza seus alunos para a urgente mudança de hábitos na região.

Desde 2005, depois de participar de um concurso da prefeitura chamado Jornais Escolares Contra a Desertificação, a escola fez do meio ambiente o tema central de suas ações. Naquele ano foram produzidos textos e cartazes, publicados no jornal escolar Sr. Notícia, que alertavam para os riscos de um antigo hábito da população: o desmatamento e a queimada.

Três anos depois, o projeto da Santa Rosa cresceu e foi um dos dez vencedores do concurso Minha Comunidade Sustentável, promovido pela revista Carta na Escola e pela organização não-governamental Ação Educativa. Com o prêmio de 5 mil reais, recebido em 2008, este ano começa com perspectivas de crescimento para o projeto Produção de Mudas Nativas e Frutíferas: uma alternativa sustentável para o Semi-árido.

Início e parcerias

O ex-diretor da escola e atual secretário de Meio-Ambiente do município, Wanderley Marques de Sousa, conta que a conscientização ambiental sempre foi uma preocupação da escola, que desenvolveu algumas ações voltadas para as questões ambientais, como a distribuição de mudas de plantas nativas na região. “Animados com o bom desempenho da escola no concurso da prefeitura, passamos a levar os alunos para visitar a Reserva Particular do Patrimônio Natural da Serra das Almas”, diz Sousa.

A reserva faz parte da Associação Caatinga, uma entidade não-governamental que existe desde 1998 e tem como objetivo a criação e gestão de áreas protegidas, o fomento de pesquisas, a educação e a capacitação das comunidades locais. A associação passaria, a partir desse dia, a ser um grande aliado do trabalho desenvolvido pela escola. Além das visitas à Serra das Almas, são oferecidas palestras que discutem temas polêmicos, como a queimada, o lixo e o uso consciente da terra.

Com as visitas à reserva, a escola resolveu fazer um projeto que seria, futuramente, o ganhador do prêmio da Minha Comunidade Sustentável. “Passamos a desenvolver um trabalho com os alunos chamado Convivendo com o Semi-árido, construímos uma horta e fizemos um viveiro de mudas que seriam distribuídas para a comunidade”, conta o ex-diretor. Com o dinheiro do prêmio Minha Comunidade Sustentável, a escola de Crateús está ampliando o projeto, que até ganhou um novo nome: Produção de Mudas Nativas e Frutíferas: uma alternativa sustentável para o Semi-árido.

Ações previstas

A horta baseia-se na policultura e mostra que, ao contrário da produção da monocultura de alimentos, não leva o solo à exaustão e não exige desmatamentos nem queimadas. “Na horta serão produzidos alimentos como cebola, coentro, pimentão, berinjela, alface, beterraba e quiabo, além de plantas medicinais, como capim santo, erva cidreira, hortelã, folha santa e mastruz”, destaca Sousa. “A intenção é que os alunos aprendam fazendo, para depois poderem reproduzir a experiência em suas casas.” A horta, além de apontar para outra forma de produção, busca mudar os hábitos alimentares dos alunos, já que todos os alimentos produzidos serão utilizados na cozinha da escola. Na horta, cada planta tem sua função e a variedade garante que os nutrientes do solo não acabem.

“No viveiro já produzimos, mais ou menos, mil mudas, entre frutíferas e nativas”, comemora o ex-diretor. As mudas foram doadas pela Associação Caatinga e terão destinos diferentes. Uma parte será doada para a comunidade local e a outra constituirá um pequeno parque ao lado da escola. “Com as premiações, o projeto ganhou grande destaque na comunidade e um morador doou um terreno para que seja feito um parque com as mudas nativas.”

Participação dos alunos

Do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, um professor foi designado para levar os alunos até a horta e desenvolver atividades como o plantio das mudas. Do 6º ao 7º foi criada uma nova disciplina em todas as escolas do município, chamada Educação Ambiental. “Nesses anos, o trabalho voltado para a conscientização ambiental será mais intenso”, promete Sousa. No 8º e no 9º ano, o trabalho será interdisciplinar. Na aula de Matemática, por exemplo, os alunos terão de tirar as medidas do terreno que servirá de parque e calcular estimativas de produção da horta.

O último passo será voltado à questão da água. Toda a água usada na cozinha passará por um processo de filtragem e será reutilizada para regar a horta e as mudas. “Passamos, em média, por quatro meses de chuva ao ano. O resto é época de estiagem. Por isso nenhuma gota d’água deve ser desperdiçada”, conclui Sousa.

A criação da horta, a manutenção de um pequeno parque com mudas nativas e as palestras que são oferecidas pela Associação Caatinga são formas de atingir não só os alunos, mas toda a comunidade. Trabalhando com esses princípios, a escola pretende criar um ambiente de desenvolvimento sustentável na região de Crateús e barrar a degradação da Caatinga.

O TERROR DA MÁFIA

O delegado Roberto Precioso Jr. só pega peixe grande: já prendeu os mais famosos criminosos daqui e do mundo, como o mafioso Tommaso Buscetta e o juiz Nicolau dos Santos Neto
Por Claudio Tognolli fotos Bruno Schultze


Um mito requer que jamais saibamos o que ele pensa. No caso do delegado Roberto Precioso Jr., o maior mito da Polícia Federal, essa máxima se reforça ainda mais porque ele não gosta de falar, deixando apenas que seu interlocutor saiba, nas estrelinhas da conversa, que ele viu tudo de pior neste mundo, bem de perto.

E muito além disso: ele não só viu o que há de mais enigmático na história do crime, como também prendeu os mais famosos criminosos do país e do mundo. Vejamos: em 1985 meteu atrás das grades o maior mafioso do mundo, Tommaso Buscetta. No ano 2000, o famoso juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, acusado de desviar R$ 169 milhões, do Fórum Trabalhista de São Paulo, escolheu Precioso para se entregar. A crônica de vida do delegado Precioso, por essas e outras, reporta-se a um luminoso roteiro, daqueles só vistos em Hollywood. “Armas sempre me atrapalharam. Não gosto delas. Mas agir com frieza sempre me ajudou muito na vida, muito mais que uma arma”, proclama.

Era de se esperar, de um personagem como esse, aquela descarga legiferante tão típica das autoridades. Longe disso: este pai de três filhas, casado desde 1976, 60 anos, dois netos, é cheio de sinais alusivos de que é, em essência, um zen. “Quando eu estava começando a minha carreira policial, um velho delegado me disse que devemos evitar ser a palmatória do mundo. Acho exatamente isso”, dispara Roberto Precioso Jr., sempre falando a meia-voz, com uma paciência digna de charreteiro.

Esse código de comportamento há de espantar, porque Precioso é “o cara”. Vejamos os números que epigrafam a biografia deste mito tenaz: prendeu os dez mais procurados mafiosos italianos dos clãs Camorra e Ndranghetta, entre eles Umberto Ammaturo e Micheli di Biasi, botou atrás das grades mais de mil traficantes da pesada, atocaiou mais de 100 mafiosos nigerianos traficantes de cocaína. Foi diretor da Interpol, no Brasil, secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, coordenou a repressão a entorpecentes da Secretaria Nacional Antidrogas.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA NA REVISTA PODER

http://revistapoder.uol.com.br/p13/

ESTUDO ERRADO

http://www.youtube.com/watch?v=cueUgipFSx8

CHARGE

Até na desgraça brasileiro sorri.


CONVERSA DE BOTEQUIM

Com a nossa Gloriosa Maria Rita.

http://www.youtube.com/watch?v=z34T8MEagy0

A HISTÓRIA DO BRASIL SEGUNDO CHICO BUARQUE


Por Maria João Caetano

Leite Derramado', o quarto romance do compositor brasileiro, chegou às livrarias brasileiras com a difícil tarefa de superar o sucesso de 'Budapeste', de 2003. A crítica já aprovou Deitado na cama do hospital, um homem de cem anos revê o filme da sua vida.

Fala com a filha, com as enfermeiras, com quem o quiser ouvir e vai contando a história da sua família - desde os antepassados portugueses, passando pelo Império e pela ditadura, até à atualidade. Esta saga familiar é assinada por Chico Buarque no seu mais recente livro, intitulado Leite Derramado.

Esta é a quarta obra de ficção do compositor brasileiro, autor de canções intemporais como A Banda ou Construção. Chico Buarque, actualmente com 65 anos, sempre mostrou que gostaria que a sua escrita fosse mais além da poesia das canções e, além de peças de teatro (Roda Viva, 1968; Calabar, 1973; Gota D'Água, 1975; e Ópera do Malandro, 1970), publicou também a novela Fazenda Modelo (1975 ) e os romances Estorvo (1991), Benjamim (1995) e Budapeste (2003).

Mas só com Budapeste o seu talento foi reconhecido - pela crítica e pelo público. Premiado, Budapeste acabou também por se tornar um filme, dirigido por Walter Carvalho, com estreia marcada para 22 de Maio no Brasil.

Ninguém duvida que, por enquanto, o Chico compositor é muito melhor do que o Chico romancista. Mas a verdade é que os seus livros são já best sellers: Estorvo vendeu 180 mil exemplares, Benjamim, 85 mil, e Budapeste, 275 mil. "Se Chico voltasse a lançar um disco hoje, certamente não venderia tanto", escreve Luís Antônio Giron, na revista Época. Leite Derramado saiu com uma primeira edição de 70 mil exemplares e espera-se que venda muito mais do que isso.

No Jornal do Brasil, Reinaldo de Moraes confessa que o livro "se deixa ler com avidez e um prazer tão romanesco quanto intelectual". Também Giron diz que a quarta narrativa de Chico Buarque "é a melhor de todas e a mais cinematográfica". A solidão e a decadência são temas recorrentes em Chico. O Leite Derramado também é isso - a derrocada, a tragédia irreversível. Vista com o olhar de quem está à beira do fim.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ANISTIA: A LEI DO ESQUECIMENTO DO REGIME MILITAR

Imagem Icone PSB
Partido Socialista Brasileiro - PSB


Ao completar 30 anos, a Lei da Anistia tornou-se o centro de uma polêmica a respeito de seu alcance. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos defende que crimes do regime militar (1964-1985) não tenham prescrição e possam ser reavaliados. Em fevereiro passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo que a lei impede a punição de torturadores, por exemplo.


"A Lei da Anistia foi a lei do esquecimento, mas foi a partir dela que começou a justiça de transição", diz a cientista política Glenda Mezarobba, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela estudou as formas de reparação às vítimas da ditadura no Brasil, Chile e na Argentina.


Segundo ela, o processo de acerto de contas entre vítimas e Estado começou a partir do fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, quando se pensou em maneiras de reparar os que sofreram e punir os responsáveis pelos crimes cometidos pelos nazistas. Glenda chama este processo de "justiça de transição".

No Brasil, o processo começou em 1979 com a Lei da Anistia, cujo principal objetivo, segundo ela, era "perdoar" aqueles que cometeram crimes como a tortura. .

A justiça de transição, diz Glenda, é baseada em quatro pilares básicos. O primeiro é a Justiça, que identifica, processa e pune os agressores. Em seguida, busca-se a verdade dos acontecimentos e arbitrariedades. O terceiro passo ocorre na reparação, que consiste em pedidos oficiais de perdão, criação de monumentos e museus que relembrem o que aconteceu, além da reparação moral e econômica. Por último, criam-se as instituições comprometidas com os novos princípios democráticos, livres dos valores autoritários do passado.

Para a cientista política, a reparação no Brasil teve um aspecto majoritariamente econômico e o Estado nunca reconheceu que houve tortura durante o regime militar. “Até hoje as Forças Armadas nunca abriram os arquivos. O acerto de contas não é só sobre as vítimas, é também um compromisso com a democracia para que nunca mais aconteça novamente.”

Glenda ressalta que a justiça de transição ocorre em cada país em diferentes circunstâncias. Segundo ela, na Argentina e no Chile, a população não reivindicou uma anistia e pediu justiça. Nesses países, a eleição direta de volta à democracia foi realizada logo após a ruptura da ditadura. “No Chile, por exemplo, o direito à reparação foi uma unanimidade, todo mundo defendeu, inclusive a direita.”

Segundo ela, uma das maiores dificuldades que o Brasil tem em acertar as contas com o passado é não chamar de "vítimas" as pessoas que sofreram com o regime militar. Evitar o uso da expressão demonstra que o país continua seguindo uma lógica não-democrática, diz Glenda. “O Judiciário e as Forças Armadas devem reconhecer que houve tortura e julgar os fatos com transparência. Essas duas instituições estão em déficit com a democracia."

A cientista política afirma que o Estado brasileiro entendeu que o mais simples seria a reparação econômica, mas “esta é uma visão equivocada porque pagar em dinheiro não é a única coisa a ser feita. A reparação acada sendo feita com base em perdas econômicas e não porque a pessoa foi torturada”.

HOMENAGEM A ARRAES

Hoje, dia 1º, o ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes será homenageado em comemoração aos 30 anos da anistia. O ministro da Justiça, Tarso Genro, vai descerrar placa no Palácio Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, com a frase: "Neste palácio, o governador Miguel Arraes de Alencar resistiu ao golpe militar de 1º de abril de 1964, sendo deposto, preso e exilado, por se recusar a renunciar ao mandato popular que lhe fora outorgado pelos pernambucanos". Há 30 anos, no Palácio Campo das Princesas, cercado por tropas fortemente armadas da ditadura, Arraes se negou a renunciar para evitar a prisão, ele alegou que a renúncia seria uma traição ao povo.


Inclusão Social
Atendendo uma solicitação dos trabalhadores rurais pernambucanos, o governador e presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, anunciou o aumento da bolsa paga aos trabalhadores inscritos no programa Chapéu de Palha. O benefício, que tinha teto de R$ 190, agora passa a ser de R$ 232,50....